Estudando História da Arte - Por onde começar?

Quando falamos em história da arte, infelizmente a maioria das pessoas tende a pensar em nomes de artistas famosos e em qual caixinha de “ismos” ele se encaixa, impressionismo, cubismo, dadaismo, etc. Também se considera muito a história recente e principalmente suas constantes disrupturas e movimentos transgressores, muitas vezes ilustrada pela arte de Duchamp.

Tendo isso em mente, convidei o amigo Matheus Camilo para escrever sobre a visão dele de história da arte e construirmos juntos um post para ajudar a cada um de vocês a mergulhar de forma eficiente neste universo. Para quem não conhece o Matheus, vou colocar alguns vídeos abaixo para darem um tom a nossa discussão e mais ao final do post incluirei outras referências.

A história da arte, na realidade, é um grande catálogo de dezenas de linguagens, cada uma com outras dezenas de direções de arte específicas. A cada composição, uma coletânea de sentimentos, padrões, paletas, gestos e intenções, com públicos bem específicos e carregando tradições que transcorreram de uma cultura a outra. Entender isso e ir aos poucos explorando-a é construir uma grande biblioteca mental a sua disposição para a hora de criar e passar a sua mensagem.

Cada uma das épocas ilustrou aquilo que era de mais importante para sua maneira de ver o mundo. Houve um tempo que no quesito de proporção, as pessoas eram apenas mais um elemento no quadro, inferiores a paisagem e natureza. Em dado momento os grandes retratos foram a narrativa que condensava o rosto com suas rugas, vida e experiências marcadas, uma história palpável. Houve períodos mais lúdicos como o Romantismo, em que os artistas concretizavam os pesadelos, davam forma a histeria das pessoas. Assim como também a natureza morta ou a representação dos objetos foi tida como um meio de expressar os desejos daquela atualidade.

E no momento atual, você consegue identificar alguma estética que abraça a sua visão de mundo? É essa relação com o seu entorno e a sua representação visual que queremos que você se interesse ao final desta leitura.

A História da Arte de Gombrich

Um grande pontapé inicial no estudo desse vasto universo é o livro A História da Arte do Gombrich, muitas vezes utilizado como bibliografia de cursos universitários. Segue uma review que fiz para ele e um link comissionado para a Amazon, caso você se interesse e queria também ajudar o Brushwork Atelier:

Compre o livro clicando aqui - https://amzn.to/2Lx3gyC

Com a palavra, Gombrich:

“Destina-se este livro a todos os que sentem necessidade de alguma orientação inicial em um estranho e fascinante mundo. Pode servir para mostrar a situação geral da arte sem confundir com detalhes; e para habilitá-lo a dar uma ordem inteligível a profusão de nomes, períodos e estilos que se congestionam nas páginas das obras mais ambiciosas, assim equipando-o para consultar livros mais abrangentes.”

A todo momento o livro te recordará o capítulo anterior, como uma maneira de construir uma ponte, mas, como o pensamento humano as vezes não segue uma linearidade, também ocorrerá dessa ponte conceitual ser quebrada, coisa que o livro também deixará claro, nesse zigzag de referências.

A maneira que eu encontro de fundamentar o estudo é ler os capítulos de 2 em 2 para construir blocos de histórias visuais na sua cabeça. Como diria Donis A. Dondis:

“As imagens também são textos e podem lidas”

Por isso construa um resumo próprio textual antes ou depois dos rascunhos ou inspirações visuais surgirem, crie um link entre conceito mental e o desenho propriamente dito. Separe sua citação favorita de cada capítulo que melhor expresse aquilo que te chamou atenção.

Vamos discutir na sequência os primeiros 5 blocos de estudos, exemplificando e expandindo onde for necessário.

Bloco 1

Introdução e Estranhos Começos - Pag 15 até Pag 54

“Nada existe realmente a que se possa dar o nome Arte. Existem somente artistas.”

Gombrich abre seu livro com um ponto chave que reinará no estudo da história, é uma narrativa sobre decisões de pessoas para pessoas, de artistas para artistas. O capítulo de introdução nos dará uma deliciosa amostra de comparações das diversas linguagens que ocorrem ao longo do tempo e ao longo dos estilos, daquilo que os artistas se encarregavam e quais suas “direções de arte” para cada trabalho que era encomendado pela igreja, por um rei poderoso ou simplesmente um admirador.  

É crucial emendar logo em seguida para o Cap 1 para entender que a arte nem sempre foi como estamos acostumados, e sim uma maneira ritualística de preservar a saúde, de adorar os deuses e continuar uma tradição. Os mitos que tanto ouvimos já foram o pilar que sustentava a crença diária de um povo, e saber sobre esse cotidiano, e mais ainda, saber que tudo parte da natureza como fonte criativa, nos dá uma lente certeira sobre o poder da imaginação que fundamenta uma narrativa.

Carregamos muito do homem primitivo, ainda temos um senso de tribalismo ao nos vestirmos de acordo com um grupo social, ou nos identificamos com outras pessoas através de gostos culturais. O uso das máscaras antigamente revelava um link com um animal da floresta, uma associação de personalidade, o que difere do hoje? Seguem algumas referências interessantes, como o festival Burning Man e a série Tales by Light:

Para aprofundar neste período, vale a pena pesquisar mais sobre o período Neolítico, principalmente do ponto de vista de sua arte e arquitetura. Segue um exemplo de John Lobell:

Bloco 2

Arte Para A Eternidade e O Grande Despertar - Pag 55 até Pag 97

“Iremos ver que os mestres gregos foram a escola com os egípcios, e todos nós somos discípulos dos gregos. Assim, a arte do Egito reveste-se de tremenda importância para nós”

O capítulo 2 e 3 devem ser estudados juntos pois aqui se abre uma tradição que passará dos egípcios aos gregos e que nos dará a lente contextual adequada para entender a visão de mundo que inaugura a vasta estética Greco-romana. Os egípcios são os mestres do eterno, com uma estética rígida e clara, linear e didática, a ponto de se tornar uma linguagem de mais de 3 mil anos, preservada dentro de uma cultura com uma crença poderosa, a de que as imagens carregam a vida dos seus faraós, de que pinturas em uma parede carregam o feitiço da vida e da morte, uma imagem para a alma. Vamos entender que provém da natureza as formas, silhuetas e cores que dão aos egípcios as ideias de suas tumbas e de sua maneira artística. Com egípcios se entende que o que se chama “primitivo” é nada além do que uma escolha de contar uma história, pois eles já haviam desvendado a técnica para representar o mundo como um espelho, mas que optaram pela simplicidade para poder contar uma narrativa seu gosto.

Este é um dos períodos antigos mais explorados pela arqueologia e história, então existem inúmeras referências para aprofundar os estudos, que vão de vídeos de grandes canais do Youtube como o Nostalgia a pesquisas acadêmicas:

Também é um período muito explorado na indústria do entretenimento, com títulos que se aproximam mais de uma releitura literal, como Assassin’s Creed Origins, O Príncipe do Egito e Exodus. No primeiro, saiu até uma versão muito interessante chamada Discovery Tour, em que você pode explorar algumas das regiões mais importantes da época na releitura do jogo:

E existem algumas propriedades intelectuais que são influenciadas, mas de forma não literal. Blade Runner, por exemplo, é um título que carrega muito da estética egípcia. As grandes corporações do filme usam de identidades majestosas como templos, colunas e elementos de decoração que lembram uma realeza mítica e imutável.

“Todos os escultores gregos quiseram saber como iriam representar determinado corpo. Os egípcios tinham baseado sua arte no conhecimento. Os gregos começaram a usar os próprios olhos”

Com os gregos iniciais, um povo ainda em desenvolvimento vamos descobrir que nem sempre se precisa de uma tradição rígida para se usar a arte, mas que o desejo de conhecer o próprio corpo e utilizá-lo como meio para a beleza pode dar a um povo uma esteira para pesquisar o mundo através do humano. O mundo dos templos, da filosofia, da esculturas e principalmente, o mundo da proporção, aqui aprendemos a olhar o belo através de escalas, de harmonias e de rochas imensas que bem dispostas parecem mais leves e suaves que uma folha num lago.

Bloco 3

O Império do Belo e Conquistadores do Mundo - Pag 100 até Pag 131

“A impressão global desses edifícios, com seus detalhes finamente lavrados, é de infinita graciosidade e leveza”

Aqui a arte se eleva, a fins de teatralidade, emoção e comoção. Veremos o nome de mestres surgindo, com métodos e assinaturas de sua visão estética. Veremos o nascimento das 3 ordens de colunas arquitetônicas que dão a “cara” dos gregos, a ordem jônica, dórica e coríntia, todas pautadas num método de passar uma ideia visual mais leve, política ou até mesmo humana.

Aqui os gregos aperfeiçoaram o que aprenderam com o egípcios, as estátuas não são mais rígidas e sem vida, agora elas respiram, sentem e transmitem desejo, elas viraram uma referência para a beleza, pode se dizer que é aqui que a propaganda nasce, ou a ideia do real da arte ser mais real do que a realidade.

“A mais notável realização dos romanos ocorreu, provavelmente, na área da engenharia civil. Conhecemos tudo sobre suas estradas, os seus aquedutos, os seus banhos públicos”

Os Romanos dedicam sua arte as cidades, ao espírito cívico e aos bustos de pedras das personalidades nacionais. Seguem alguns exemplos:

É possível ver como a história da arte e arquitetura de Roma se confunde com a própria história de suas conquistas e batalhas. Nesse momento, fica ainda mais importante entender o contexto do que estava acontecendo no período e literalmente expandir seus horizontes sobre as influências artísticas do período. Encontrei este vídeo bem interessante sobre os momentos europeus:

A representação estética não se resume só a esculturas e edificações, mas podemos aprender muito sobre essas decisões vendo como eram resolvidos visualmente e também funcionalmente os itens do dia a dia, de móveis a artigos de batalha do exército romano. Quanto mais referências tivermos, especialmente se estivermos querendo representar estes períodos, melhor serão nossas peças e também mais absorveremos de forma inconsciente para aplicar no futuro.

Este é outro período também muito representado no entretenimento, seja de forma literal ou inspirando títulos sobre mitologia e/ou outros temas. Animações como Hércules, filmes como Gladiador e jogos como Assassin’s Creed Origins e God of War devem muito a estética do período.

Segue uma cena bem bacana do filme Gladiador, assim como um video sobre sua cinematografia, que acrescenta ainda mais sobre o tema, mas do ponto de vista técnico da representação do período.

Seguem também o trailer do Assassin’s Creed Odyssey e um vídeo sobre a criação de cenários em God of War 3.

Bloco 4

Bifurcação de Caminhos, Olhando para o Oriente e A arte Ocidental em Fase de Assimilação -  Pag 133 até Pag 169

“A pintura pode fazer pelos analfabetos o que a escrita faz pelos que sabem ler”

O período Bizantino é uma espécie de continuação romana com um viés político e estético voltado para a filosofia Católica. É uma época de igrejas e basílicas (Pórticos reais, edifícios que antes eram mercados, fóruns e até templos pagãos, é nessa época que se concretiza o padrão interior das igrejas como conhecemos até hoje).

É também a época de imagens esteticamente mais simples a fim de chegar num público maior a mensagem cristã, mas imagens não menos interessantes, pois o domínio das pedras preciosas e o ouro nas paredes como símbolo do paraíso e de poder será muito bem compreendida, aqui se estabelece como arte geral a mídia dos mosaicos, uma arte plana para uma mensagem mais ampla (o mosaico já era utilizado pelos romanos de forma mais doméstica e decorativa).

Um dos tesouros do período é Hagia Sophia, em Istanbul, antiga Constantinopla. Seguem alguns vídeos sobre este magnífico edifício:

Assim como uma bela pintura de Sargent, retratando seu reluzente interior dourado:

Arte de John Singer Sargent

No capítulo seguinte, “Olhando para o Oriente”, Gombrich nos dá uma breve mas astuta viagem na maneira que alguns orientais percebem e planejam a arte.

“Fazer imagens era proibido. Mas a arte, é claro, não pode ser simplesmente suprimida, e os artífices do Oriente, aos quais não era permitido representar os seres humanos, deixaram sua imaginação jogar com padrões e formas”.

Mais tarde na história da arte, teremos a exploração visual do oriente pelos acadêmicos, em um movimento conhecido como Orientalismo. Segue um vídeo bem interessante sobre o tema:

Os Islâmicos acreditam no profeta Maomé, que por sua vez não permitia a realização do rosto e de pessoas na arte, pois em tese não teriam o direito de representar a imagem e semelhança de seu Deus. Nesse caso passaram a se expressar pelas linhas dos rendilhados dos tapetes, roupas e arquitetura (Alhambra é um exemplo muito marcante), criando padrões e texturas intrincadas e exuberantes, virando uma espécie de marca registrada de certos povos do oriente.

Claro que essa rigidez não se aplica a todos os orientalistas, os Persas por suas vez possuem uma arte que lembra muito as histórias em quadrinhos e livros ilustrados de hoje, um modelo de passar suas lendas e contos de uma forma onírica, colorida e divertida.

Indo um pouco mais para o Oriente, os chineses eram um povo que antes de pintar ou desenhar gostavam de dar longos passeios e caminhadas por jardins, florestas, lagos e montanhas, a fim de absorver o exterior e a essência da natureza. Eles não copiavam o objeto artístico, eles pintavam de imaginação aquele sentimento mais marcante que o artista adquiriu da experiência do trajeto realizado.

Retornando a História de forma linear nos deparamos com o Capítulo “ A arte em fase de assimilação”

“O período que se seguiu a essa era cristã primitiva, o período que sobreveio a queda do Império Romano, é geralmente conhecido pela nada lisonjeira expressão, de Idade das Trevas.”

As várias tribos bárbaras conhecidas da história são dessa época, como os Vikings, Saxões e Godos. Os católicos assolados por essas invasões e guerras assimilaram em suas bíblias e artes a maneira dos celtas, com seus rendilhados e representações de monstros marinhos, gerando vasta imaginação e  referência visual para as maneiras religiosas de pensar catástrofes e monstros metafóricos. É de se notar que desde os gregos a arte se modificou muito, aqui o importante não copiar a realidade como ela, mas sim transmitir uma mensagem clara e sucinta, nesse período os chamados “copistas”, aqueles monges destinados a reescrever as sagradas escrituras seguiam algumas regras visuais, mas também podiam expressar o seu “eu” criativo.

Bloco 5

A Igreja Militante - Pag 172

“A igreja era, geralmente, o único edifício de pedra em toda a redondeza, constituía a única construção de pedra de considerável envergadura de muitas léguas ao redor, e seu campanário era um ponto de referência para todos que vinham de longe”

O autor de Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo costuma dizer que a arquitetura foi a grande forma de escrita do gênero humano. A pedra de nossas moradas serviu de mídia por muitos séculos para se transmitir arte, através da arquitetura se observa não só um documento, mas um estilo de vida, um estilo de pensar. O mundo sempre foi o mesmo, o que muda é a visão humana sobre o mundo, por isso a arte muda, e dificilmente se aceitará um modelo universal de beleza ou de linguagem.

O estilo românico carrega uma silhueta mais robusta, paredes grossas, fachadas mais lisas e ornamentos mais sucintos. O grande círculo na fachada que será chamada de rosácea pelos góticos é uma marca desse período. A aparência dessas igrejas fortalezas se deve a um período de invasões e guerras.

Seguem alguns vídeos interessantes sobre a arquitetura desse período:

Mais uma vez, a estética desse momento histórico não se resume às obras de arte e arquitetura, mas o dia a dia, a indumentária, objetos, móveis, armas e armaduras tem muito a nos ensinar visualmente e funcionalmente. Nesta palestra baixo, assim como em outras palestras, o artista Even Mehl Amundsen ressalta um ponto muito importante na arte de fantasia, a busca de referências reais. Como um grande conhecedor da história de armas, armaduras e batalhas, ele possui uma enorme biblioteca para popular seus personagens de criação, seja em representações de momentos reais, muito próximos aos reais ou somente baseados na realidade, como o universo dos anões que ele discute na palestra.

Seguem alguns vídeos interessantes sobre funcionalidades para ilustrar este ponto:

Outro ótimo exemplo inspirado neste período são as artes de Alan Lee e John Howe para O Senhor dos Anéis (apesar deste ter sido inspirado por um longo espectro de movimentos artísticos e de arquitetura):

Existem tantos títulos do mundo do entretenimento inspirados neste período que passaríamos horas aqui discutindo, então vou me restringir ao mundo do Senhos do Anéis, que vimos acima, e ao jogo Dark Souls III, abaixo.

Seja o caminho traçado pelo pensamento mítico-religioso dos Egípcios, a proporção dos Gregos ou a intrincada trama dos Islâmicos, percebemos que em 10 capítulos pode-se absorver muito do mundo antigo que Gombrich tão bem traça. O que se percebe é algo que um artista moderno chamado Matisse escreveu:

“A pintura não é outra coisa senão pensamento que se pode ver”

A frase não se atém a pintura como linguagem, mas como uma metáfora da própria arte. As culturas que registraram seus ícones no tempo tinham bem pautado seus pensamentos e princípios, aquilo que queriam alcançar (e alcançaram) como direções de arte se avaliarmos com o olhar atual, alcançaram o patamar de tradições. O restante do livro segue o mesmo padrão, nos dando os principais fundamentos de pensamento e imagem que dão a entender os povos sequencialmente até o tempo moderno, é sem dúvida o primeiro passo e um vasto aprendizado para o conhecimento da História da Arte.

A importância das imagens

“Cada obra de arte é uma criatura de seu tempo, muitas vezes é a mãe dos nossos sentimentos. Cada época de cultura realiza uma arte própria que não pode ser repetida. Um esforço para chamar à vida modos artísticos passados pode, no máximo, ter como consequência obras de arte que se assemelham a uma criatura nascida morta. É impossível, por exemplo, sentirmos e vivermos intimamente como os antigos gregos. Assim, os esforços para aplicar os princípios gregos na plástica podem produzir somente formas símiles gregas, ao passo que a obra permanece sem alma” - Kandinsky

Kandinsky pode ser soar um pouco radical, mas ele tem um ponto interessante, que certas linguagens só funcionam em certos momentos e tempos. E é por isso que estudamos a história da arte, buscando uma lente sobre cada tempo, suas influências e prioridades, uma lente sobre a mente individual e sua posição no mundo e mais ainda uma lente sobre o olho e a sua forma de ver esse mundo. Com isso, buscamos aprender ter uma visão mais ampla e também mais clareza na nossa própria visão de mundo e como podemos colocar isso em nossa arte, seja representando um período antigo ou fazendo algo novo.

Esperamos que este texto motive o estudo de vocês desse tópico tão interessante e tão importante que é a História da Arte e que também inspire-os a olhar ao seu redor e ver com qual estética vocês melhor representariam o que querem dizer.

Dentro de um mesmo período, de um mesmo contexto, de uma mesma rotina, cada um terá um ponto de vista diferente e único. Expresse isso no seu trabalho.

Batemos um papo sobre estes e outros assuntos também nestas duas entrevistas abaixo:

Se quiserem expandir os estudos, o Matheus tem dois cursos que abordam a história da arte e a semiótica e que tem turmas todos os semestres. Clique aqui ou na imagem abaixo para conhecer mais.

Obrigado por ter lido!

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Sketchbooks - Encontrando quem você é como artista

Arte de Nicolas Uribe

Uns meses atrás, fui procurado pelo pessoal do Plein Air Studio, para fazer uma parceria de divulgação da aula demo do artista Nicolas Uribe, que acontecerá no dia 26 de janeiro de 2019, aqui em São Paulo. Por sinal, vai ser um papo imperdível, como você vai perceber neste post, então clica aqui para saber mais e se inscrever!

Na época, para ser sincero, eu tinha ouvido falar do artista, visto alguns trabalhos maravilhoso como este ao lado, mas basicamente só conhecia seu recente projeto de sketchbooks no Kickstarter e sua conta do Instagram que estava cada vez mais famosa.

O que eu não sabia era o nível de profundidade das discussões que o artista levantava e os questionamentos que gerariam na minha cabeça.

Foi só depois de pesquisar bastante sobre ele e ouvir suas aulas e entrevistas que comecei a ter uma pequena janela para quem ele era e as ideias que ele defendia. A primeira delas, por mais irônico que possa parecer, exemplifica minha incompetência de extrair mais de suas pinturas do que somente imagens bonitas.

Nesta entrevista ao lado, Nicolas questiona que em nosso mundo moderno, acelerado e com extremo acesso a informação, ficamos acostumados a consumir de forma bem superficial uma peça de arte. Vemos se ela é bonita ou não, as cores, iluminação, temática e passamos para a próxima. Não nos permitimos mergulhar nas imagens, imaginar o que se passava na cabeça do artista na hora da pintura, sua relação com o tema, sua relação com as cores, sua mensagem a ser passada e o que ele estava aprendendo durante esse processo.

Pare para pensar um segundo. Quando foi a última vez que você se questionou estas coisas ao olhar uma peça de arte? Nós como artistas, principalmente, temos muito a aprender com cada oportunidade destas, não só do ponto de vista técnico, que normalmente tendemos a focar, mas principalmente da relação com o fazer artístico e a vida de artista. Neste outro vídeo ao lado, sobre estilo, Nicolas se aprofunda nesta questão e nos dá algumas dicas de como explorar as questões em nosso próprio processo.

Arte de Nicolas Uribe

Me questionando sobre este assunto, fui um pouco além no pensamento de que uma obra de arte finalizada normalmente possui um certo viés do ponto de vista de intenção. Como o artista sabe que aquilo será visto por alguém, muitas vezes pode de maneira consciente ou inconsciente direcionar a forma de executar, a temática, cores, etc, para gerar certo sentimento no seu público alvo. O mesmo, porém, não acontece com tanta frequência nos sketchbooks, especialmente aquelas páginas que não virarão mais um post no Instagram.

O sketchbook, em sua essência, é uma ferramenta para expressar a curiosidade, para a experimentação com aquilo que não conhecemos, para a expressão daquilo que sentimos com relação aos pequenos momentos a nossa volta, muito mais ligado ao processo do que aos resultados.

Essa foi uma grande análise que eu não fiz do trabalho de sketchbooks do Nicolas. Ali ele nos deixa bem claro quem ele é e sua relação com a pintura. Na entrevista do começo do post, ele verbaliza de forma ainda mais clara que elementos como sua mudança de volta de Nova York para Bogota foi importante no processo de desconstrução do ego e de descobrimento do que ele queria pintar e como queria viver.

Para ele, antes era motivo de questionamento pintar suas filhas, sua vida cotidiana, ele precisava dizer mais do que só aquilo. Depois, ele começou a perceber que era aquilo que ele queria, era aquilo que lhe fazia bem e que se ele corresse atrás e fizesse as mudanças necessárias, seria capaz de continuar sempre pintando. Está aí um outro grande aprendizado desse bate-papo, Nicolas se sente feliz e agradecido pela oportunidade de continuar pintando. Para ele, este é o objetivo, conseguir os meios necessários para não parar de pintar. Às vezes nos sentimentos tão pressionados por resultados, principalmente financeiros, que esquecemos um pouco da oportunidade que temos de fazer o que fazemos e estarmos gratos por isso. Não que dinheiro não seja importante, principalmente no mundo que vivemos, porém precisamos lembrar dos pequenos momentos, tão bem ilustrados por Nicolas.

Precisamos também mudar nossa relação com estes pedaços de papel encadernados e não sentir tanto medo ao riscar, especialmente quando eles ainda estão em branco. São oportunidades e não desafios, são experiências, aprendizados, descobertas e recordações que vão ficar. Faça como Iain McCaig sugere, neste vídeo ao lado, desenhe todos os dias em um caderno algo que você gosta ou se interessa, faça isso durante 6 meses e ganhe de presente um “retrato da sua alma”, ou seja, descubra o que você realmente gosta e parta daí.

Nicolas também tem um ponto muito forte sobre a questão da visão pessoal. Ao longo dos anos, ele aprendeu a aceitar que ninguém vai conseguir retratar as filhas dele como ele as retrata. Ele cita o pintor contemporâneo Jeremy Lipking, por exemplo, que tem uma técnica excepcional, mas o retrato dele de uma das filhas de Nicolas seria somente um retrato, sem toda a carga emocional envolvida. Precisamos aos poucos nos reconectarmos com essa carga emocional e também parar um pouco para analisa-la no trabalho de outras pessoas.

Sobre mostrar cadernos e/ou postar trabalhos, acho que vale separar o que é para você, o que é para quem pode genuinamente te ajudar a melhorar e o que é para o público geral, mesmo que isso tenha que ser fisicamente dividido, em cadernos diferentes. Todas essas coisas vão começar a se confundir com a prática, mas até isso acontecer, você certamente já estará mais consciente de quem você é, o que está fazendo e o resultado não impactará tanto o processo. Vale ressaltar o “tanto” da frase anterior, pois a insegurança com resultados faz parte do processo e nos acompanhará durante toda nossa vida.

Antes de continuarmos para as referências, gostaria de lembrar que teremos a oportunidade e o prazer de conhecer e assistir a uma aula do Nicolas Uribe aqui em São Paulo, no dia 26 de janeiro de 2019. Mais informações no link: http://www.pleinairstudio.com.br/calendario/workshop-nicolas-uribe/

Seguem então algumas outras referências e palavras sobre sketchbooks para você ver, analisar, absorver o que você se identificar e acrescentar na sua trajetória:

Jake Parker

Aaron Blaise

Série do THUTV - Karl Kopinski, Kim Jung Gi e Ruan Jia

James Jean

Scott Robertson e Neville Page

Chris Ayers

John Park

Darren Quach

Ahmed Aldoori

Sinix

Bobby Chiu

James Gurney

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Color and Light do James Gurney - Como estudar este livro?

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Recentemente, tive a honra e alegria de ser convidado a participar de dois podcasts, o Colour Cast, do Design Culture, e o ICONIC Cast, do Iconic.

Foram papos com focos um pouco diferentes, que na minha opinião se complementam muito bem, apesar é claro de algumas pequenas partes parecidas.

Colour Cast

No Colour Cast, conversei com o Marcos Torres e falei mais da minha vida e trajetória, discutindo mudança de carreira, educação, meus projetos e um pouco de mercado. Foi interessante que como eu não tinha conversado por áudio com o Marcos, não ficou estranho contar pontos da minha história para ele, pois sabia que não estaria sendo repetitivo. Você pode ouvir este podcast no vídeo abaixo, assim como outras versões no canal deles do Youtube:

ICONIC Cast

No ICONIC Cast, conversei com o Henrique Lira e o Marco Alvares, que já conhecia de outros “carnavais”. Dessa vez, o papo foi um pouco mais descontraído e posso dizer “profundo”, entrando mais em motivação, os perigos das redes sociais e um pouco sobre o trabalho de recrutador em uma empresa de games e o que o mercado está procurando em artistas tanto de 3D quanto de 2D. Você também pode ouvir pelo link abaixo, assim como explorar os diversos vídeos interessantes do canal do ICONIC no Youtube:

Espero que gostem e que ajude um pouco mais na trajetória de alguns de vocês. Como sempre, estou aberto a discussões sobre todos os tópicos, seja aqui nos comentários do post ou nos vídeos diretamente.

Este post também veio em bom momento para tirar a poeira daqui do blog, onde vocês podem esperar muitos outros posts no futuro!

Vamos em frente e obrigado a ambos os projetos pela oportunidade!

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