Usando referências (parte 2/3) - Interpretando o que você vê e traduzindo para seu desenho/pintura

No primeiro post dessa série, discutimos o perigo de se supervalorizar o desenho "de cabeça" em detrimento do uso de referências. Também discutimos algumas abordagens para o estudo do que estamos vendo. Se você ainda não leu, acho interessante antes de prosseguirmos a discussão. Segue o link:

http://brushworkatelier.com/blog/2016/4/13/usando-referncias-parte-13-perigos

Neste post, vamos ver diversos exemplos do uso de referências por artistas das mais diversas áreas de atuação, do realismo ao cartoon. Para mim, o objetivo final deste texto é tentar tirar completamente seu preconceito com a prática e provocar reflexão sobre seu próprio trabalho.

Esta série de vídeos abaixo, que coincidentemente foi publicada em data muito próxima desta série, reflete muito sobre o artista John Singer Sargent, mas também, principalmente nos vídeos 2 e 3, sobre o uso de referências, por artistas como o próprio Sargent, Norman Rockwell, dentre outros.

Este link abaixo, lista diversas comparações entre artes de pinups e suas respectivas fotos de referência, algumas foram vistas nos vídeos acima:

http://ulkacurl.livejournal.com/212899.html

Não importa o caminho que você irá seguir, seja a reprodução do que você vê, a composição de novas cenas ou a criação de algo novo, é de extrema importância a interpretação do que estamos vendo com base na intenção por trás do que estamos fazendo. Esse vídeo abaixo de Jonathan Hardesty discute bem a questão, apresentando conceitos como a gama de valores no que vemos e como podemos utilizar certas alterações em favor de nossa narrativa. Estou fazendo um post sobre realismo, baseado em uma entrevista com ele, que será publicado em um futuro próximo.

Neste outro vídeo, Feng Zhu discute como fazer estudos de fotos com a intenção de aprender o que estamos vendo e não necessariamente copiar de forma mecânica. Este seria um exemplo de estudo da iluminação e formas, como discutimos no primeiro post, tentando aprender, replicar ou até expandir aquilo que a foto nos apresenta.

Por outro lado, existem formas de acentuar aquilo que queremos dizer com uma obra de pura observação, como estes exemplos abaixo de três artistas diferentes, Sycra, Jonathan Hardesty e Maurício Takiguthi. Cada um tem sua forma de fazer as coisas, cada um tem uma intenção diferente, cada um tem um resultado diferentes, porém os três utilizaram referências diretas para o seu processo.

Este processo é um dos mais presentes nas fine arts, utilizado e desenvolvido ao longo de séculos pelos mais diversos tipos de artistas, seja da fotografia ou direto do modelo vivo.

A referência direta também pode ser usada para ir além na simplificação, estilizando aquilo que vemos para os resultados que pretendemos. Este vídeo abaixo é um ótimo exemplo do processo:

Também podemos ver algo muito parecido nas animações da Disney, por exemplo. Neste link abaixo, temos uma coletânea de imagens do processo por trás de filmes como Alice no País das Maravilhas:

http://www.i-am-bored.com/2016/04/alice-in-wonderland-the-animation-process-10-pics.html

Já discutimos bastante este assunto nos posts sobre Life Drawing que você pode acessar clicando aqui.

Existe outra importante forma de se usar referências que é para popular composições que desenvolvemos de imaginação. Este é um processo muito comum na ilustração, onde utilizamos nossos conhecimentos para fazer thumbnails e dar as primeiras camadas de detalhamento e depois populamos nossas composições com todas as referências necessárias. Esta imagem abaixo resume bem este processo, na pintura do grande artista Gregory Manchess. Neste caso, a iluminação que ele pretendia foi replicada na referência para entender todos os volumes da musculatura das costas.

 Arte de Greg Manchess

Arte de Greg Manchess

E você pode utilizar estas referências também como a tradução direta que vimos nas fine arts, sem entender necessariamente toda a musculatura presente. O importante será novamente utilizar uma intenção clara, tanto na forma como traduz o que vê quanto em como compõe a unidade da cena. Neste outro processo abaixo, Greg utiliza fotos suas com vestimentas específicas para o tema na hora de compor a ilustração.

Este era um tutorial vendido através da empresa Massive Black, porém acredito não estar mais disponível para compra. Este universo está sendo desenvolvido pelo artista e será publicado em 2017. Mais informações, clique aqui.

Outro grande exemplo são os artistas de pinup que já vimos no começo do post e o grande ilustrador Norman Rockwell.

Arte de Norman Rockwell

Na sequência, irei apresentar um grande número de posts sobre o tema que retirei do blog Muddy Colors, que na minha opinião é a melhor referência para artistas na internet. Estes dois posts, para mim sumarizam e exemplificam tudo que estamos falando. Vale a pena conferir:

http://muddycolors.blogspot.com.br/2016/10/20-artists-from-photo-to-final.html

http://muddycolors.blogspot.com.br/2014/01/artist-selfies-everybodys-doing-it.html

Mais uma série interessante:

http://muddycolors.blogspot.com.br/2013/02/presearch-part-3-of-3.html

http://muddycolors.blogspot.com.br/2013/01/presearch-part-2-of-3.html

http://muddycolors.blogspot.com.br/2012/12/presearch-part-1-of-3.html

E algumas dicas de preparação para tirar as fotos certas:

http://muddycolors.blogspot.com.br/2015/05/six-tips-for-selfie-refs.html

http://muddycolors.blogspot.com.br/2013/11/getting-shot.html

Existem também inúmeras referências de processo de pinturas no Muddy Colors, como esta abaixo do artista Howard Lyon.

http://muddycolors.blogspot.com.br/2016/04/an-allegory-of-truth.html

E muitos outros (eu disse que era um grande número de referências):

James Gurney também tem um livro fantástico sobre o assunto, chamado Imaginative Realism:

Ok, imagino que agora você já esteja convencido de duas coisas, da importância das referências e do quão habitual é seu uso em diversas vertentes artísticas. Não vou me estender muito também para que você possa explorar o Muddy Colors com mais calma.

Na arte digital, existem momentos também em que a proximidade do realismo ou até de agilidade no processo, irá necessitar a aplicação direta de fotos em suas pinturas, um processo conhecido como Photobashing. Este vídeo abaixo, de Maciej Kuciara, demonstra bastante a prática dentro do Photoshop:

Este é outro tópico cheio de preconceitos no fazer artístico, mas sua aplicação principalmente no na ilustração e concept art para a indústria do cinema tem sido cada vez mais constante. O 3D também é outra ferramenta que tem se difundido bastante neste mercado.

Para ilustrar, veja o trabalho de Andree Wallin abaixo. Ele não usa o 3D em seu processo, mas utiliza muitas fotos na construção das composições. O processo se assemelha ao que vimos na ilustração, primeiro um thumbnail e o posterior uso de referências no detalhamento, porém, neste caso, algumas referências são aplicadas diretamente na pintura.

 Arte de Andree Wallin

Arte de Andree Wallin

Este processo também é muito utilizado quando o foto realismo é necessário. Por exemplo, as técnicas de Matte Painting, onde partes de cenários e cenas de filmes são substituídas por pinturas ou computação gráfica, exigem muito photobashing para se aproximar dos demais elementos em cena.

Estes vídeos acima ilustram as aplicações de Matte Painting no cinema e na TV. No passado, estas pinturas tinham que ser feitas de forma tradicional e posicionadas entre a câmera e as filmagens. Segue um vídeo da ILM ilustrando o processo.

Como disse, não quero me estender demais neste assunto para que você possa explorar os outros conteúdos mais a fundo. A ideia é que você entende de uma vez por todas que o uso de referência pode sim fazer parte do processo de artistas nas mais diversas aplicações. O que importa é qual será sua intenção, interpretação daquilo que vê e o que fará com a ferramenta no final.

Na terceira parte, discutiremos a junção dos aprendizados para criar algo novo, tocando em assuntos como o design de personagens, criaturas, objetos, veículos e cenários.

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