Mais de 50 dos melhores livros que conheço para o estudo de arte

Este post é dedicado a listar e descrever brevemente alguns dos melhores livros que eu conheço para o estudo de diferentes tópicos no mundo das artes. Dentro do possível, tentarei manter este post atualizado, para que seja sempre uma forma de vocês encontrarem boas sugestões.

Também estão colocados os links na Amazon (links afiliados) para os mesmos, que não necessariamente são as opções mais baratas, mas dado o volume de vendas da Amazon costumam ser. Pesquisem! Estes links também ajudam o Brushwork, pois uma porcentagem das vendas vai para o blog.

Vários destes livros tem reviews no canal do Youtube do Brushwork Atelier e as colocarei sempre embaixo da descrição. Você também pode acessar a playlist do Youtube clicando aqui.

Desenho

Desenhando com o Lado Direito do Cérebro - Betty Edwards - http://amzn.to/2mRP1tK

  • Este livro é uma das melhores introduções ao desenho de observação que eu conheço. A autora estrutura o conteúdo em torno da leitura de proporções, ângulos, espaços, valores e até cores, fazendo com que você comece a observar mais e usar menos símbolos na hora de desenhar. Este é o "grande segredo" dos resultados rápidos que a autora sempre usa como marketing do livro e de seus workshops, se você usa menos fórmulas prontas carregadas da infância e começa a observar e desconstruir mais de forma bidimensional, imediatamente seu desenho se aproxima mais do realista. Você pode argumentar que isso não "melhora" o desenho, porém no quesito de realismo, com certeza seu desenho dará um salto.

The Practice and Science of Drawing - Harold Speed - http://amzn.to/2EroUm7

  • Este livro aborda um pouco do que é discutido no livro Desenhando com o Lado Direito do Cérebro, porém de uma forma muito mais aprofundada. Harold Speed mergulha nas diferenças entre a abordagem do desenho com linhas e com massas, suas semelhanças, diferenças, valores e restrições. Para ser sincero, já tentei inúmeras vezes e sempre me senti vencido pelo livro, ainda não conseguindo explorar o conteúdo como deveria. É um livro extremamente recomendado por diversos artistas e ao qual retornarei com certeza no futuro. O artista e estudioso James Gurney fez uma série em seu blog sobre esse livro, segue o link: http://gurneyjourney.blogspot.com.br/2015/08/gj-bo...

Fun with a Pencil - Andrew Loomis - http://amzn.to/2FzzbvY

  • Este livro eu não possuo, apesar de já ter folheado algumas vezes. Pelo que sei é uma ótima introdução ao desenho, de uma forma mais divertida e descomprometida. Loomis aborda principalmente o desenho de imaginação através de um processo de construção com formas geométricas simples.

Successful Drawing - Andrew Loomis - http://amzn.to/2mErtre

  • Este livro já é mais "sério" que o anterior, dando uma introdução tanto aos fundamentos do desenho (linhas, perspectiva e valores) quanto ao processo de ilustração (utilizando uma estrutura que ele chama de 5Ps e 5Cs). Discuti muito desses assuntos no meu post sobre desenho, vale a pena conferir: http://brushworkatelier.com/blog/2015/8/1/desenho-...

Perspectiva

Técnicas de ilustração à mão livre: Do ambiente construído à paisagem urbana - Eduardo Bajzek - https://amzn.to/2IkDGzV

  • Este para mim é o melhor livro em português de desenho em perspectiva, incluindo também técnicas de ilustração, desenho urbano, desenho de vegetação e de arquitetura. Estudei muitas vezes com o Bajzek e muito do conhecimento compartilhado em seus cursos, assim como sua atenção para detalhes e didática caprichosa, se concretizam nesse material. Sem dúvidas é um ótimo investimento para aprender a desenhar.

Perspective Made Easy - Ernest Norling - http://amzn.to/2hhjjrh

  • Este livro é uma ótima introdução aos conceitos fundamentais do desenho em perspectiva, bem didático e de leitura mais leve. Outro ponto alto é que ele sugere MUITOS exercícios tanto de construção quanto de observação, uma ótima referência para quem estiver precisando de ideias para estudar perspectiva.

Creative Perspective for Artists and Illustrators - Ernest Watson - http://amzn.to/2zoqXol

  • Este outro vai um pouco além do Perspective Made Easy, mostrando diversos exemplos de aplicações dos conceitos (infelizmente porém se restringe bastante a ilustração). Fiz um post sobre o tópico de Perspectiva com base em um vídeo do curso do Marshall Vandruff que usa este livro como base. Segue o link: http://brushworkatelier.com/blog/2016/3/31/perspec...

How to Draw - Scott Robertson e Thomas Bertling - http://amzn.to/2nAMUdz

  • Sou suspeito para falar, mas acho um dos melhores livros no trabalho da forma tridimensional. Como falamos anteriormente, livros como Desenhando com o Lado Direito do Cérebro são ótimas referências para o desenho bidimensional, mais focado na leitura de shapes do que forms (pensamento de formatos bidimensionais e volumes tridimensionais). Este livro trabalha um conceito muito interessante e que tem se mostrado na prática muito eficaz para o desenvolvimento da percepção tridimensional, o draw through (ou desenhar através). Este método, muito ensinado no Art Center College of Design, propõe que desenhemos ou pelo menos imaginemos o que está além do que conseguimos ver de um objeto no ângulo que estamos olhando o mesmo. Essa é uma poderosa ferramenta para entender estrutura e como a perspectiva vai se comportar em diferentes contornos de forma. Fiz um post especificamente sobre esse livro, vale a pena conferir: http://brushworkatelier.com/blog/2015/7/13/scott-r...

Framed Perspectiva 1 - Marcos Mateu-Mestre - http://amzn.to/2nANRT8

  • O que o How to Draw apresenta em questões técnicas, Framed Perspective 1 complementa com observação e percepção. Existem sim alguns tópicos que se sobrepõem, porém, como as abordagens são diferentes, você ainda vai tirar muitos ensinamentos dos mesmos. Além disso, Marcos Mateu toca em algumas questões não exploradas por Scott Robertson, como os planos inclinados e também perspectiva de 3 pontos.

Criei um post sobre como utilizar estes dois livros acima para melhorar sua perspectiva:

https://brushworkatelier.com/blog/2019/2/22/aprendendo-perspectiva-com-how-to-draw-e-framed-perspective-1-como-eu-estudaria

Framed Perspectiva 2 - Marcos Mateu-Mestre - http://amzn.to/2mS7Cph

  • O segundo livro da série explora mais a projeção de sombras e principalmente a estrutura de perspectiva da figura e sua iluminação. Este é talvez um dos tópicos de especialidade do Marcos Mateu-Mestre, explorar desenhos através da luz e sombra com preto e brance e talvez alguns poucos outros valores, por isso, acho um livro fantástico para se explorar. Confesso preciso explorar mais os conceitos da figura humana no mesmo e retornarei com mais questões no futuro.

Desenho da Figura Humana

Drawing from Life - George Bridgman - http://amzn.to/2mcb29i

  • Este livro é muito bom principalmente para entender o volume dos músculos do corpo e parte de seu funcionamento. Por muito tempo estudei este conteúdo errado e esse vídeo do Proko acho uma ótima saída para que você não faça o mesmo:

Figure Drawing for All it's Worth - Andrew Loomis - http://amzn.to/2mbYvD3

  • O livro do Loomis trabalha bastante a questão da figura em perspectiva, assim como o livro Framed Perspective 2, do Marcos Mateu-Mestre. Também é outro conteúdo que preciso estudar mais a fundo, mas muito conceituado no meio artístico.

Drawing the Head and Hands - Andrew Loomis - http://amzn.to/2DQbWNo

  • Este livro eu não tenho, por isso não tenho muito como comentar a respeito. Sei que muitos artistas, como a Karla Ortiz por exemplo, defendem muito que a força de uma imagem que possua uma ou mais figuras está nas cabeças e mãos. Esta também é uma disciplina específica da estrutura curricular de ilustração no Art Center. Tendo isso em vista, é natural que Loomis pare para abordar o tema mais em profundidade neste conteúdo específico. Mais para frente pretendo comprá-lo e retornarei com mais informações. Se alguém tiver e quiser comentar aqui embaixo, fique a vontade.

Figure Drawing for Artists - Steve Huston - http://amzn.to/2A2NiKE

  • O que mais gosto da abordagem do Steve Huston é que além de apresentar as questões de estrutura, gestual e anatomia, ele sempre correlaciona com o que os grandes mestres faziam e o que podemos aprender com isso.

Figure Drawing for Concept Artists - Kan Muftic - http://amzn.to/2zugp6i

  • Kan Muftic, além de uma grande desenhista da figura, é também um grande concept artist, tendo atuado para as indústrias de games e cinema. Nesse livro, o mais interessante é que além de explicar muito bem o desenho da figura, ele também correlaciona com o que conseguimos aplicar no concept art, além de outras práticas como o desenho de figuras, animais e prédios nas ruas.

How to Draw Portraits in Charcoal - Nathan Fowkes - http://amzn.to/2sWrQUT

  • A prática do retrato, para Nathan Fowkes, não é só uma forma de representar o modelo, mas também uma forma de explorar técnicas de composição muito mais avançadas, controle de bordas e fluxo da leitura. É muito interessante ver como é visível a tradução destas questões tanto em seu trabalho de retratos quanto de paisagens. O livro é bem didático, com muito exemplos práticos e também "correções" de obras de estudantes.

Figure Drawing: Design and Invention - Michael Hampton - http://amzn.to/2GYvsJS (normalmente não está disponível, mas pode ser encontrado na amazon americana)

  • Outro livro muito recomendado sobre o desenho da figura humana, cobrindo desde o gestual até a finalização. Muito interessante para compreender um pouco melhor o processo de desenvolvimento, volumes e proporções da figura. Assim como para o Bridgman, estudei este livro de maneira bem mecânica e obtive poucos resultados, sendo assim tente sempre aplicar o que estiver aprendendo. Segue um vídeo discutindo essa questão:

Desenho de Animais e Criaturas

Animals Real and Imagined - Terryl Whitlatch - http://amzn.to/2tQv2xw

  • Este foi o primeiro livro lançado pela Terryl e poderíamos dizer que é mais uma coletânea de seus trabalhos. Eu particularmente gosto muito do trabalho dela, então sou suspeito para falar.

The Science of Creature Design - Terryl Whitlatch - http://amzn.to/2tw4T8a

  • Nesta série de dois livros, Terryl apresenta uma abordagem mais didática, primeiramente falando da ciência do design de criaturas, anatomia, alterações e criações.

Principles of Creature Design - Terryl Whitlatch - http://amzn.to/2ssKB0z

  • Neste segundo livro, Terryl discute os princípios do design de criaturas e como utilizar o que aprendemos no primeiro livro. Ela também trás exemplos do trabalho que fez para a franquia Star Wars.

The Art of Animal Drawing - Ken Hultgren - http://amzn.to/2FtUjUb

  • Este é um livro bem acessível e também bem didático do desenho de animais. Ele discute tanto a construção por volumes, entendimento da anatomia, quanto o fluxo de leitura, gestual, texturas e acabamento. Ele também cobre questões como cartoonização e caricatura.

The Weatherly Guide to Drawing Animals - Joe Weatherly - http://amzn.to/2tvKv6Z

  • Assim como o livro do Ken Hultgren, Joe Weatherly aborda uma gama ampla de abordagens ao desenho assim como uma gama ampla de animais sendo trabalhados. Eu particularmente gosto bastante da sua didática e do resultado de seus desenhos. Infelizmente não é tão fácil de encontrar aqui no Brasil.

Gestual e Acting

Drawn to Life: Volume 1 - Walt Stanchfield - http://amzn.to/2ldXvxT

Drawn to Life: Volume 2 - Walt Stanchfield - http://amzn.to/2i2egrD

  • Esta série de livros é uma coletânea de exercícios ensinados por Walt Stanchfield para os artistas da Disney durante muitos anos. Os exercícios trabalham principalmente o gesto e movimentos da figura, porém abordagem diversas outras questões como volume, fluxo de leitura, cartoonização, dentre outros.

Luz e Cores

Color and Light - James Gurney - http://amzn.to/2mS7LsP

  • James Gurney também cobre uma gama grande de assuntos relacionamos a iluminação e cores neste livro. Ele começa falando dos diferentes tipos de iluminações, luzes naturais vs artificiais, direção de luz, até chegar em materias, efeitos atmosféricos e a compreensão da aplicação destes conceitos em diferentes pigmentos.

Em complemento a esse review, escrevi um post indicando como eu estudaria este fantástico livro do James Gurney:

https://brushworkatelier.com/blog/2015/7/25/james-gurney-e-seu-livro-color-light

How to Render - Scott Robertson e Thomas Bertling - http://amzn.to/2mRPLin

  • Este é um livro bem técnica sobre iluminação e materiais. Ele começa discutindo a projeção de sombras, partindo na sequência para valores em sólidos geométricos e vai aos poucos aumentando a complexidade dos mesmos. Praticamente a segunda metade inteira do livro é dedicada a reflexões e outros tipos de materiais, desta vez já incorporando as cores locais e da iluminação na equação.

Color Choices - Stephen Quiller - http://amzn.to/2GBo3jh

  • Este é um livro bastante recomendado para o estudo de cores, com muito exercícios sugeridos. Infelizmente ainda não tive tempo de estudá-lo para conhecer melhor o conteúdo, mas certamente retornarei aqui com mais informações no futuro.

Pintura

Alla Prima II - Richard Schmid - http://amzn.to/2tvN35a (normalmente não está disponível na Amazon BR)

  • Alla Prima é uma grande referência para o estudo da pintura a oleo e especialmente da obra do mestre Richard Schmid. Schmid divide uma pincelada em quatro grandes questões, desenho ou shape, valor, cor e borda e é em torno dessa estrutura que ele discute seus aprendizados ao longo de uma vida inteira nesta prática.

Oil Painting Techniques and Materials - Harold Speed - http://amzn.to/2DOrxNy

Paisagem e Vegetação

Botany for the artist - Sarah Simblet - https://amzn.to/2KG8Z59

  • Este livro é um guia muito interessante para o mundo do desenho botânico. Sarah Simblet tem, além de um traço maravilhoso, uma ótima didática para apresentar os tópicos. Sendo assim, o livro serve tanto como uma visão geral de todos os tópicos envolvidos quanto uma bela referência para qualidade de trabalhos.

Carlson's Guide to Landscape Painting - John F. Carlson - http://amzn.to/2EA5ZFK

  • Uma opção extremamente acessível para quem quer começar no desenho e pintura de paisagens, incluindo questões de desenho, perspectiva, escolhar, composição e valores.

Compositon of Outdoor Painting - Edgar Payne - http://amzn.to/2tQFg15 (normalmente não está disponível)

  • Este também é um dos livros mais recomendados de composição para artistas, porém desta vez com foco no desenho e pintura de paisagens. Edgar Payne discute os grandes shapes, composições geométricas, equilíbrio, valores e ponto focal, além de muitas outras questões interessante. Um comentário de Craig Mullins sobre o livro é para tomarmos cuidado para não seguir muito a risca as tais "regras de composição", pois na realidade não existem regras.

Composição e Cinematografia

Dream Worlds - Hans Bacher - http://amzn.to/2uCg8zt

  • Uma mistura de Framed Ink com The Visual Story, porém com foco na indústria de animação. Muito interessante perceber todas as decisões tomadas no design de cenas de grandes filmes como A Bela e a Fera, Rei Leão, entre outros.

Hans Bacher também tem outros dois livros muito interessantes, porém que ainda não tive a oportunidade de explorar.

Sketchbook: Composition Studies for Film - Hans Bacher - https://amzn.to/2Ixgpdk

  • Este é mais um art book do que instrucional, porém com vários estudos de composição cinematográfica, tema muito discutido de forma didática no livro acima.

Vision: Color and Composition for Film - Hans Bacher - https://amzn.to/2ZbZ7rR

  • Este pelo que consegui ver pela internet se aprofunda ainda mais nas escolhas de cinematografia, porém desta vez dedicando bastante para cores.

Picture This: How Pictures Work - Molly Bang - http://amzn.to/2hrqq0C

  • Utilizando uma linguagem com formas geométricas simples, Molly Bang explica de forma primorosa a organização de elementos em uma imagem, clima da leitura e storytelling. Uma introdução muito legal ao mundo da composição.

Framed Ink - Marcos Mateu-Mestre - http://amzn.to/2saeC3c

  • Um dos livros mais recomendados de composição para artistas. Marcos Mateu-Mestre discute tanto imagens única quanto artes sequenciais, dando muita ênfase nos grandes shapes e no fluxo do olhar através da imagem. Ele utiliza muito contrastes de preto e branco, assim como faz em seu trabalho. Um perigo deste livro é copiá-lo sem questionar o que você está realmente aprendendo e sem aplicar posteriormente.

The Visual Story - Bruce Block - http://amzn.to/2DXiSIX

  • Este livro é bem voltado para o estudo de cinematografia, iluminação de cena, câmeras e composição. Ainda não estudei o material como gostaria, porém deve ser muito interessante fazê-lo juntamente com a análise de filmes e depois a criação de cenas de imaginação.

Design

Mechanika - Doug Chiang - http://amzn.to/2yXo8Jh

  • Doug Chiang é um dos responsáveis pelo visual dos novos filmes da franquia Star Wars, incluindo os episódios 1, 2, 3, 7 e 8. Neste livro, ele apresenta o seu processo de design de veículos e mechs, ele também apresenta alguns dos conceitos fundamentais do design e a utilização de ferramentas como marcadores para explorar ideias.

H-Point: The Fundamentals of Car Design & Packaging - http://amzn.to/2sWoJfK

  • Para mim, este não só é um dos melhores livros relacionados ao design de carros, mas também uma ferramenta muito interessante para se entender melhor o processo de pesquisa, definição de restrições e objetivos de um projeto, exploração de ideias, trabalhar com inúmeros sistemas conectados até a finalização do produto.

The Skillful Huntsman - Scott Robertson, Khang Le, Mike Yamada e Felix Yoon - http://amzn.to/2mBh1QA

  • Uma fantástica exploração pelo processo de criação de mundos, tanto do ponto de vista de alunos quanto da supervisão de um instrutor. Scott Robertson pega uma história pequena e orienta seus alunos, os artistas Khang Le, Mike Yamada e Felix Yoon, a desenvolverem todo o universo que a rodeia, incluindo cenários, personagens, props e veículos.

Sketching from the Imagination: An Insight Into Creative Drawing - http://amzn.to/2zNgbbD

  • Este livro é uma coletânea de entrevistas e trabalhos de diversos artistas sobre o desenho de imaginação. Além de grande forma de inspiração, os textos ainda dão muitas ideias de como abordar suas próprias criações.

Sketching from Imagination: Characters - http://amzn.to/2hZT99g

  • Assim como o livro acima, o conteúdo aborda o desenho de imaginação, com entrevistas e imagens de muitos artistas, inclusive três brasileiros, Hugo Richard, Bruno Biazotto e Rael Lyra). A grande diferença é que esta edição foca especificamente em personagens.

Existem outros volumes desta série acima, que também exploram o desenho de imaginação, porém focados em temas como Sci-Fi, Fantasia, Dark Ages, dentre outros. Vale a pena explorar.

Ilustração e Storytelling

Imaginative Realism - James Gurney - http://amzn.to/2sW4638

  • Este livro é um guia fantástico para o aprendizado do desenho de imaginação, quebrando alguns paradigmas quanto ao uso de referências e ao processo de ilustração. Gurney também discute a aplicação destas habilidades em diferentes áreas da indústria do entretenimento.

Creative Illustration - Andrew Loomis - http://amzn.to/2vcdG3D

  • Uma bíblia da ilustração, englobando aspectos do trabalho de linha, valores e cores, e como ordená-los de forma a melhor construir uma imagem. Loomis também discute questões de storytelling e as aplicações de mercado da ilustração. Este livro é recomendadíssimo por diversos ilustradores, como por exemplo a Karla Ortiz. E ela mesma sugere q ele seja lido várias vezes ao longo do seu desenvolvimento, pois certamente algumas informações vão ficar claras somente quando você já tiver alguma experiência.

Story - Robert McKee - http://amzn.to/2BYeyXM

  • Aprender a contar história é uma ferramenta importante para artistas. Esse livro é extremamente recomendado entre roteirista, então acredito ser de grande valor para nós artistas. Confesso que ainda não o estudei.

A Jornada do Escritor - Christopher Vogler - http://amzn.to/2nOpQZY

  • Mais um livro voltado para roteiros, Vogler discute a aplicação e alteração de conceitos como a Jornada do Herói na hora de contar histórias. Mais um livro que só comecei a ler e preciso retomar.

Concept Art

Big Bad World of Concept Art for Video Games - Elliot Lilly - http://amzn.to/2niHC96

  • Este material cobre tudo que você precisa saber para começar a se desenvolver para uma carreira em concept art, principalmente sobre o que faz um artista nessa posição, o que você precisa desenvolver de habilidades para chegar lá e como apresentar estas habilidades para as empresas te conhecerem.

The Big Bad World of Concept Art for Video Games: How to Start Your Career as a Concept Artist - Elliot Lilly - https://amzn.to/2tUW3So

  • Este livro evolui sobre o que foi discutido no primeiro, focando desta vez em aspectos de carreira e não tanto de aprendizado.

História

Para tentar entender um pouco da importância do estudo de história para artes, fiz um post com o amigo Matheus Camilo:

https://brushworkatelier.com/blog/2019/1/16/estudando-histria-da-arte-por-onde-comear

A História da Arte - E. H. Gombrich - https://amzn.to/2Lx3gyC

  • Este é um dos livros mais recomendados para começar a estudar a História da Arte. Apesar de ser um pouco superficial em certos tópicos, sua leitura é fluida e certamente vai te motivar a querer saber mais sobre cada período.

História Ilustrada da Arquitetura - Publifolha - http://amzn.to/2tNnqeT

  • Referência fantástica para o estudo da história da Arquitetura em seus mais diversos estilos e elementos arquitetônicos. As ilustração também são muito bonitas e didáticas.

Tudo sobre Arquitetura - https://amzn.to/2Nta1Dd

  • Esta é uma opção super acessível para conhecer a história da arquitetura, incluindo também uma grande parte sobre períodos mais modernos.

História global da arquitetura - Francis Ching - https://amzn.to/2XaKnb6

  • Este livro é na minha opinião o melhor sobre o tema da Arquitetura. Ele é bem grande, porém sua leitura é bem fluida e cobrindo vários períodos em bastante detalhamento.

História Ilustrada do Vestuário - Publifolha - http://amzn.to/2uicyaW

  • Seguindo a linha dos outros livros dessa série, a história do vestuário cobre períodos desde o mundo antigo até alguns movimentos mais recentes. Também apresenta os elementos constituinte e a "gramática" do vestuário. Anthony Jones é um artista que valoriza muito o estudo de moda para melhorar o design de personagens.

História Ilustrada da Guerra - Publifolha - http://amzn.to/2uGNVY1

  • Uma coisa que aprendi com o artista Even Mehl Amundsen foi a respeitar a história e funcionalidades de elementos presentes nela. Acredito que os elementos de guerra, nesse nosso meio de entretenimento, sejam alguns dos mais presentes e também mais mal utilizados. Esse livro me mostrou uma introdução interessante sobre a evolução de armas até as armas de fogo e também a funcionalidade de castelos, fortificações e estratégias de combate.

História Ilustrada do Mundo Antigo - Publifolha - http://amzn.to/2uFToyo

  • Imaginar a vida em períodos muito antigos é um processo bem complexo. Esse livro cobre uma gama bem ampla de tópicos, como política, lazer, guerra, arquitetura, comércio, geografia, entre muitos outros, e os discute em quatro contextos diferentes, Egito Antigo, Mesopotâmia, Grécia e Roma. No final, ele também apresenta algumas questões de povos do oriente e algumas outras civilizações.

Obrigado por ter lido! Espero que tenha gostado, deixe sugestões nos comentários e possivelmente as incluirei aqui no post!

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Muito obrigado por acompanhar e bons estudos!

Estudando História da Arte - Por onde começar?

Quando falamos em história da arte, infelizmente a maioria das pessoas tende a pensar em nomes de artistas famosos e em qual caixinha de “ismos” ele se encaixa, impressionismo, cubismo, dadaismo, etc. Também se considera muito a história recente e principalmente suas constantes disrupturas e movimentos transgressores, muitas vezes ilustrada pela arte de Duchamp.

Tendo isso em mente, convidei o amigo Matheus Camilo para escrever sobre a visão dele de história da arte e construirmos juntos um post para ajudar a cada um de vocês a mergulhar de forma eficiente neste universo. Para quem não conhece o Matheus, vou colocar alguns vídeos abaixo para darem um tom a nossa discussão e mais ao final do post incluirei outras referências.

A história da arte, na realidade, é um grande catálogo de dezenas de linguagens, cada uma com outras dezenas de direções de arte específicas. A cada composição, uma coletânea de sentimentos, padrões, paletas, gestos e intenções, com públicos bem específicos e carregando tradições que transcorreram de uma cultura a outra. Entender isso e ir aos poucos explorando-a é construir uma grande biblioteca mental a sua disposição para a hora de criar e passar a sua mensagem.

Cada uma das épocas ilustrou aquilo que era de mais importante para sua maneira de ver o mundo. Houve um tempo que no quesito de proporção, as pessoas eram apenas mais um elemento no quadro, inferiores a paisagem e natureza. Em dado momento os grandes retratos foram a narrativa que condensava o rosto com suas rugas, vida e experiências marcadas, uma história palpável. Houve períodos mais lúdicos como o Romantismo, em que os artistas concretizavam os pesadelos, davam forma a histeria das pessoas. Assim como também a natureza morta ou a representação dos objetos foi tida como um meio de expressar os desejos daquela atualidade.

E no momento atual, você consegue identificar alguma estética que abraça a sua visão de mundo? É essa relação com o seu entorno e a sua representação visual que queremos que você se interesse ao final desta leitura.

A História da Arte de Gombrich

Um grande pontapé inicial no estudo desse vasto universo é o livro A História da Arte do Gombrich, muitas vezes utilizado como bibliografia de cursos universitários. Segue uma review que fiz para ele e um link comissionado para a Amazon, caso você se interesse e queria também ajudar o Brushwork Atelier:

Compre o livro clicando aqui - https://amzn.to/2Lx3gyC

Com a palavra, Gombrich:

“Destina-se este livro a todos os que sentem necessidade de alguma orientação inicial em um estranho e fascinante mundo. Pode servir para mostrar a situação geral da arte sem confundir com detalhes; e para habilitá-lo a dar uma ordem inteligível a profusão de nomes, períodos e estilos que se congestionam nas páginas das obras mais ambiciosas, assim equipando-o para consultar livros mais abrangentes.”

A todo momento o livro te recordará o capítulo anterior, como uma maneira de construir uma ponte, mas, como o pensamento humano as vezes não segue uma linearidade, também ocorrerá dessa ponte conceitual ser quebrada, coisa que o livro também deixará claro, nesse zigzag de referências.

A maneira que eu encontro de fundamentar o estudo é ler os capítulos de 2 em 2 para construir blocos de histórias visuais na sua cabeça. Como diria Donis A. Dondis:

“As imagens também são textos e podem lidas”

Por isso construa um resumo próprio textual antes ou depois dos rascunhos ou inspirações visuais surgirem, crie um link entre conceito mental e o desenho propriamente dito. Separe sua citação favorita de cada capítulo que melhor expresse aquilo que te chamou atenção.

Vamos discutir na sequência os primeiros 5 blocos de estudos, exemplificando e expandindo onde for necessário.

Bloco 1

Introdução e Estranhos Começos - Pag 15 até Pag 54

“Nada existe realmente a que se possa dar o nome Arte. Existem somente artistas.”

Gombrich abre seu livro com um ponto chave que reinará no estudo da história, é uma narrativa sobre decisões de pessoas para pessoas, de artistas para artistas. O capítulo de introdução nos dará uma deliciosa amostra de comparações das diversas linguagens que ocorrem ao longo do tempo e ao longo dos estilos, daquilo que os artistas se encarregavam e quais suas “direções de arte” para cada trabalho que era encomendado pela igreja, por um rei poderoso ou simplesmente um admirador.  

É crucial emendar logo em seguida para o Cap 1 para entender que a arte nem sempre foi como estamos acostumados, e sim uma maneira ritualística de preservar a saúde, de adorar os deuses e continuar uma tradição. Os mitos que tanto ouvimos já foram o pilar que sustentava a crença diária de um povo, e saber sobre esse cotidiano, e mais ainda, saber que tudo parte da natureza como fonte criativa, nos dá uma lente certeira sobre o poder da imaginação que fundamenta uma narrativa.

Carregamos muito do homem primitivo, ainda temos um senso de tribalismo ao nos vestirmos de acordo com um grupo social, ou nos identificamos com outras pessoas através de gostos culturais. O uso das máscaras antigamente revelava um link com um animal da floresta, uma associação de personalidade, o que difere do hoje? Seguem algumas referências interessantes, como o festival Burning Man e a série Tales by Light:

Para aprofundar neste período, vale a pena pesquisar mais sobre o período Neolítico, principalmente do ponto de vista de sua arte e arquitetura. Segue um exemplo de John Lobell:

Bloco 2

Arte Para A Eternidade e O Grande Despertar - Pag 55 até Pag 97

“Iremos ver que os mestres gregos foram a escola com os egípcios, e todos nós somos discípulos dos gregos. Assim, a arte do Egito reveste-se de tremenda importância para nós”

O capítulo 2 e 3 devem ser estudados juntos pois aqui se abre uma tradição que passará dos egípcios aos gregos e que nos dará a lente contextual adequada para entender a visão de mundo que inaugura a vasta estética Greco-romana. Os egípcios são os mestres do eterno, com uma estética rígida e clara, linear e didática, a ponto de se tornar uma linguagem de mais de 3 mil anos, preservada dentro de uma cultura com uma crença poderosa, a de que as imagens carregam a vida dos seus faraós, de que pinturas em uma parede carregam o feitiço da vida e da morte, uma imagem para a alma. Vamos entender que provém da natureza as formas, silhuetas e cores que dão aos egípcios as ideias de suas tumbas e de sua maneira artística. Com egípcios se entende que o que se chama “primitivo” é nada além do que uma escolha de contar uma história, pois eles já haviam desvendado a técnica para representar o mundo como um espelho, mas que optaram pela simplicidade para poder contar uma narrativa seu gosto.

Este é um dos períodos antigos mais explorados pela arqueologia e história, então existem inúmeras referências para aprofundar os estudos, que vão de vídeos de grandes canais do Youtube como o Nostalgia a pesquisas acadêmicas:

Também é um período muito explorado na indústria do entretenimento, com títulos que se aproximam mais de uma releitura literal, como Assassin’s Creed Origins, O Príncipe do Egito e Exodus. No primeiro, saiu até uma versão muito interessante chamada Discovery Tour, em que você pode explorar algumas das regiões mais importantes da época na releitura do jogo:

E existem algumas propriedades intelectuais que são influenciadas, mas de forma não literal. Blade Runner, por exemplo, é um título que carrega muito da estética egípcia. As grandes corporações do filme usam de identidades majestosas como templos, colunas e elementos de decoração que lembram uma realeza mítica e imutável.

“Todos os escultores gregos quiseram saber como iriam representar determinado corpo. Os egípcios tinham baseado sua arte no conhecimento. Os gregos começaram a usar os próprios olhos”

Com os gregos iniciais, um povo ainda em desenvolvimento vamos descobrir que nem sempre se precisa de uma tradição rígida para se usar a arte, mas que o desejo de conhecer o próprio corpo e utilizá-lo como meio para a beleza pode dar a um povo uma esteira para pesquisar o mundo através do humano. O mundo dos templos, da filosofia, da esculturas e principalmente, o mundo da proporção, aqui aprendemos a olhar o belo através de escalas, de harmonias e de rochas imensas que bem dispostas parecem mais leves e suaves que uma folha num lago.

Bloco 3

O Império do Belo e Conquistadores do Mundo - Pag 100 até Pag 131

“A impressão global desses edifícios, com seus detalhes finamente lavrados, é de infinita graciosidade e leveza”

Aqui a arte se eleva, a fins de teatralidade, emoção e comoção. Veremos o nome de mestres surgindo, com métodos e assinaturas de sua visão estética. Veremos o nascimento das 3 ordens de colunas arquitetônicas que dão a “cara” dos gregos, a ordem jônica, dórica e coríntia, todas pautadas num método de passar uma ideia visual mais leve, política ou até mesmo humana.

Aqui os gregos aperfeiçoaram o que aprenderam com o egípcios, as estátuas não são mais rígidas e sem vida, agora elas respiram, sentem e transmitem desejo, elas viraram uma referência para a beleza, pode se dizer que é aqui que a propaganda nasce, ou a ideia do real da arte ser mais real do que a realidade.

“A mais notável realização dos romanos ocorreu, provavelmente, na área da engenharia civil. Conhecemos tudo sobre suas estradas, os seus aquedutos, os seus banhos públicos”

Os Romanos dedicam sua arte as cidades, ao espírito cívico e aos bustos de pedras das personalidades nacionais. Seguem alguns exemplos:

É possível ver como a história da arte e arquitetura de Roma se confunde com a própria história de suas conquistas e batalhas. Nesse momento, fica ainda mais importante entender o contexto do que estava acontecendo no período e literalmente expandir seus horizontes sobre as influências artísticas do período. Encontrei este vídeo bem interessante sobre os momentos europeus:

A representação estética não se resume só a esculturas e edificações, mas podemos aprender muito sobre essas decisões vendo como eram resolvidos visualmente e também funcionalmente os itens do dia a dia, de móveis a artigos de batalha do exército romano. Quanto mais referências tivermos, especialmente se estivermos querendo representar estes períodos, melhor serão nossas peças e também mais absorveremos de forma inconsciente para aplicar no futuro.

Este é outro período também muito representado no entretenimento, seja de forma literal ou inspirando títulos sobre mitologia e/ou outros temas. Animações como Hércules, filmes como Gladiador e jogos como Assassin’s Creed Origins e God of War devem muito a estética do período.

Segue uma cena bem bacana do filme Gladiador, assim como um video sobre sua cinematografia, que acrescenta ainda mais sobre o tema, mas do ponto de vista técnico da representação do período.

Seguem também o trailer do Assassin’s Creed Odyssey e um vídeo sobre a criação de cenários em God of War 3.

Bloco 4

Bifurcação de Caminhos, Olhando para o Oriente e A arte Ocidental em Fase de Assimilação -  Pag 133 até Pag 169

“A pintura pode fazer pelos analfabetos o que a escrita faz pelos que sabem ler”

O período Bizantino é uma espécie de continuação romana com um viés político e estético voltado para a filosofia Católica. É uma época de igrejas e basílicas (Pórticos reais, edifícios que antes eram mercados, fóruns e até templos pagãos, é nessa época que se concretiza o padrão interior das igrejas como conhecemos até hoje).

É também a época de imagens esteticamente mais simples a fim de chegar num público maior a mensagem cristã, mas imagens não menos interessantes, pois o domínio das pedras preciosas e o ouro nas paredes como símbolo do paraíso e de poder será muito bem compreendida, aqui se estabelece como arte geral a mídia dos mosaicos, uma arte plana para uma mensagem mais ampla (o mosaico já era utilizado pelos romanos de forma mais doméstica e decorativa).

Um dos tesouros do período é Hagia Sophia, em Istanbul, antiga Constantinopla. Seguem alguns vídeos sobre este magnífico edifício:

Assim como uma bela pintura de Sargent, retratando seu reluzente interior dourado:

Arte de John Singer Sargent

No capítulo seguinte, “Olhando para o Oriente”, Gombrich nos dá uma breve mas astuta viagem na maneira que alguns orientais percebem e planejam a arte.

“Fazer imagens era proibido. Mas a arte, é claro, não pode ser simplesmente suprimida, e os artífices do Oriente, aos quais não era permitido representar os seres humanos, deixaram sua imaginação jogar com padrões e formas”.

Mais tarde na história da arte, teremos a exploração visual do oriente pelos acadêmicos, em um movimento conhecido como Orientalismo. Segue um vídeo bem interessante sobre o tema:

Os Islâmicos acreditam no profeta Maomé, que por sua vez não permitia a realização do rosto e de pessoas na arte, pois em tese não teriam o direito de representar a imagem e semelhança de seu Deus. Nesse caso passaram a se expressar pelas linhas dos rendilhados dos tapetes, roupas e arquitetura (Alhambra é um exemplo muito marcante), criando padrões e texturas intrincadas e exuberantes, virando uma espécie de marca registrada de certos povos do oriente.

Claro que essa rigidez não se aplica a todos os orientalistas, os Persas por suas vez possuem uma arte que lembra muito as histórias em quadrinhos e livros ilustrados de hoje, um modelo de passar suas lendas e contos de uma forma onírica, colorida e divertida.

Indo um pouco mais para o Oriente, os chineses eram um povo que antes de pintar ou desenhar gostavam de dar longos passeios e caminhadas por jardins, florestas, lagos e montanhas, a fim de absorver o exterior e a essência da natureza. Eles não copiavam o objeto artístico, eles pintavam de imaginação aquele sentimento mais marcante que o artista adquiriu da experiência do trajeto realizado.

Retornando a História de forma linear nos deparamos com o Capítulo “ A arte em fase de assimilação”

“O período que se seguiu a essa era cristã primitiva, o período que sobreveio a queda do Império Romano, é geralmente conhecido pela nada lisonjeira expressão, de Idade das Trevas.”

As várias tribos bárbaras conhecidas da história são dessa época, como os Vikings, Saxões e Godos. Os católicos assolados por essas invasões e guerras assimilaram em suas bíblias e artes a maneira dos celtas, com seus rendilhados e representações de monstros marinhos, gerando vasta imaginação e  referência visual para as maneiras religiosas de pensar catástrofes e monstros metafóricos. É de se notar que desde os gregos a arte se modificou muito, aqui o importante não copiar a realidade como ela, mas sim transmitir uma mensagem clara e sucinta, nesse período os chamados “copistas”, aqueles monges destinados a reescrever as sagradas escrituras seguiam algumas regras visuais, mas também podiam expressar o seu “eu” criativo.

Bloco 5

A Igreja Militante - Pag 172

“A igreja era, geralmente, o único edifício de pedra em toda a redondeza, constituía a única construção de pedra de considerável envergadura de muitas léguas ao redor, e seu campanário era um ponto de referência para todos que vinham de longe”

O autor de Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo costuma dizer que a arquitetura foi a grande forma de escrita do gênero humano. A pedra de nossas moradas serviu de mídia por muitos séculos para se transmitir arte, através da arquitetura se observa não só um documento, mas um estilo de vida, um estilo de pensar. O mundo sempre foi o mesmo, o que muda é a visão humana sobre o mundo, por isso a arte muda, e dificilmente se aceitará um modelo universal de beleza ou de linguagem.

O estilo românico carrega uma silhueta mais robusta, paredes grossas, fachadas mais lisas e ornamentos mais sucintos. O grande círculo na fachada que será chamada de rosácea pelos góticos é uma marca desse período. A aparência dessas igrejas fortalezas se deve a um período de invasões e guerras.

Seguem alguns vídeos interessantes sobre a arquitetura desse período:

Mais uma vez, a estética desse momento histórico não se resume às obras de arte e arquitetura, mas o dia a dia, a indumentária, objetos, móveis, armas e armaduras tem muito a nos ensinar visualmente e funcionalmente. Nesta palestra baixo, assim como em outras palestras, o artista Even Mehl Amundsen ressalta um ponto muito importante na arte de fantasia, a busca de referências reais. Como um grande conhecedor da história de armas, armaduras e batalhas, ele possui uma enorme biblioteca para popular seus personagens de criação, seja em representações de momentos reais, muito próximos aos reais ou somente baseados na realidade, como o universo dos anões que ele discute na palestra.

Seguem alguns vídeos interessantes sobre funcionalidades para ilustrar este ponto:

Outro ótimo exemplo inspirado neste período são as artes de Alan Lee e John Howe para O Senhor dos Anéis (apesar deste ter sido inspirado por um longo espectro de movimentos artísticos e de arquitetura):

Existem tantos títulos do mundo do entretenimento inspirados neste período que passaríamos horas aqui discutindo, então vou me restringir ao mundo do Senhos do Anéis, que vimos acima, e ao jogo Dark Souls III, abaixo.

Seja o caminho traçado pelo pensamento mítico-religioso dos Egípcios, a proporção dos Gregos ou a intrincada trama dos Islâmicos, percebemos que em 10 capítulos pode-se absorver muito do mundo antigo que Gombrich tão bem traça. O que se percebe é algo que um artista moderno chamado Matisse escreveu:

“A pintura não é outra coisa senão pensamento que se pode ver”

A frase não se atém a pintura como linguagem, mas como uma metáfora da própria arte. As culturas que registraram seus ícones no tempo tinham bem pautado seus pensamentos e princípios, aquilo que queriam alcançar (e alcançaram) como direções de arte se avaliarmos com o olhar atual, alcançaram o patamar de tradições. O restante do livro segue o mesmo padrão, nos dando os principais fundamentos de pensamento e imagem que dão a entender os povos sequencialmente até o tempo moderno, é sem dúvida o primeiro passo e um vasto aprendizado para o conhecimento da História da Arte.

A importância das imagens

“Cada obra de arte é uma criatura de seu tempo, muitas vezes é a mãe dos nossos sentimentos. Cada época de cultura realiza uma arte própria que não pode ser repetida. Um esforço para chamar à vida modos artísticos passados pode, no máximo, ter como consequência obras de arte que se assemelham a uma criatura nascida morta. É impossível, por exemplo, sentirmos e vivermos intimamente como os antigos gregos. Assim, os esforços para aplicar os princípios gregos na plástica podem produzir somente formas símiles gregas, ao passo que a obra permanece sem alma” - Kandinsky

Kandinsky pode ser soar um pouco radical, mas ele tem um ponto interessante, que certas linguagens só funcionam em certos momentos e tempos. E é por isso que estudamos a história da arte, buscando uma lente sobre cada tempo, suas influências e prioridades, uma lente sobre a mente individual e sua posição no mundo e mais ainda uma lente sobre o olho e a sua forma de ver esse mundo. Com isso, buscamos aprender ter uma visão mais ampla e também mais clareza na nossa própria visão de mundo e como podemos colocar isso em nossa arte, seja representando um período antigo ou fazendo algo novo.

Esperamos que este texto motive o estudo de vocês desse tópico tão interessante e tão importante que é a História da Arte e que também inspire-os a olhar ao seu redor e ver com qual estética vocês melhor representariam o que querem dizer.

Dentro de um mesmo período, de um mesmo contexto, de uma mesma rotina, cada um terá um ponto de vista diferente e único. Expresse isso no seu trabalho.

Batemos um papo sobre estes e outros assuntos também nestas duas entrevistas abaixo:

Se quiserem expandir os estudos, o Matheus tem dois cursos que abordam a história da arte e a semiótica e que tem turmas todos os semestres. Clique aqui ou na imagem abaixo para conhecer mais.

Obrigado por ter lido!

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Sketchbooks - Encontrando quem você é como artista

Arte de Nicolas Uribe

Uns meses atrás, fui procurado pelo pessoal do Plein Air Studio, para fazer uma parceria de divulgação da aula demo do artista Nicolas Uribe, que acontecerá no dia 26 de janeiro de 2019, aqui em São Paulo. Por sinal, vai ser um papo imperdível, como você vai perceber neste post, então clica aqui para saber mais e se inscrever!

Na época, para ser sincero, eu tinha ouvido falar do artista, visto alguns trabalhos maravilhoso como este ao lado, mas basicamente só conhecia seu recente projeto de sketchbooks no Kickstarter e sua conta do Instagram que estava cada vez mais famosa.

O que eu não sabia era o nível de profundidade das discussões que o artista levantava e os questionamentos que gerariam na minha cabeça.

Foi só depois de pesquisar bastante sobre ele e ouvir suas aulas e entrevistas que comecei a ter uma pequena janela para quem ele era e as ideias que ele defendia. A primeira delas, por mais irônico que possa parecer, exemplifica minha incompetência de extrair mais de suas pinturas do que somente imagens bonitas.

Nesta entrevista ao lado, Nicolas questiona que em nosso mundo moderno, acelerado e com extremo acesso a informação, ficamos acostumados a consumir de forma bem superficial uma peça de arte. Vemos se ela é bonita ou não, as cores, iluminação, temática e passamos para a próxima. Não nos permitimos mergulhar nas imagens, imaginar o que se passava na cabeça do artista na hora da pintura, sua relação com o tema, sua relação com as cores, sua mensagem a ser passada e o que ele estava aprendendo durante esse processo.

Pare para pensar um segundo. Quando foi a última vez que você se questionou estas coisas ao olhar uma peça de arte? Nós como artistas, principalmente, temos muito a aprender com cada oportunidade destas, não só do ponto de vista técnico, que normalmente tendemos a focar, mas principalmente da relação com o fazer artístico e a vida de artista. Neste outro vídeo ao lado, sobre estilo, Nicolas se aprofunda nesta questão e nos dá algumas dicas de como explorar as questões em nosso próprio processo.

Arte de Nicolas Uribe

Me questionando sobre este assunto, fui um pouco além no pensamento de que uma obra de arte finalizada normalmente possui um certo viés do ponto de vista de intenção. Como o artista sabe que aquilo será visto por alguém, muitas vezes pode de maneira consciente ou inconsciente direcionar a forma de executar, a temática, cores, etc, para gerar certo sentimento no seu público alvo. O mesmo, porém, não acontece com tanta frequência nos sketchbooks, especialmente aquelas páginas que não virarão mais um post no Instagram.

O sketchbook, em sua essência, é uma ferramenta para expressar a curiosidade, para a experimentação com aquilo que não conhecemos, para a expressão daquilo que sentimos com relação aos pequenos momentos a nossa volta, muito mais ligado ao processo do que aos resultados.

Essa foi uma grande análise que eu não fiz do trabalho de sketchbooks do Nicolas. Ali ele nos deixa bem claro quem ele é e sua relação com a pintura. Na entrevista do começo do post, ele verbaliza de forma ainda mais clara que elementos como sua mudança de volta de Nova York para Bogota foi importante no processo de desconstrução do ego e de descobrimento do que ele queria pintar e como queria viver.

Para ele, antes era motivo de questionamento pintar suas filhas, sua vida cotidiana, ele precisava dizer mais do que só aquilo. Depois, ele começou a perceber que era aquilo que ele queria, era aquilo que lhe fazia bem e que se ele corresse atrás e fizesse as mudanças necessárias, seria capaz de continuar sempre pintando. Está aí um outro grande aprendizado desse bate-papo, Nicolas se sente feliz e agradecido pela oportunidade de continuar pintando. Para ele, este é o objetivo, conseguir os meios necessários para não parar de pintar. Às vezes nos sentimentos tão pressionados por resultados, principalmente financeiros, que esquecemos um pouco da oportunidade que temos de fazer o que fazemos e estarmos gratos por isso. Não que dinheiro não seja importante, principalmente no mundo que vivemos, porém precisamos lembrar dos pequenos momentos, tão bem ilustrados por Nicolas.

Precisamos também mudar nossa relação com estes pedaços de papel encadernados e não sentir tanto medo ao riscar, especialmente quando eles ainda estão em branco. São oportunidades e não desafios, são experiências, aprendizados, descobertas e recordações que vão ficar. Faça como Iain McCaig sugere, neste vídeo ao lado, desenhe todos os dias em um caderno algo que você gosta ou se interessa, faça isso durante 6 meses e ganhe de presente um “retrato da sua alma”, ou seja, descubra o que você realmente gosta e parta daí.

Nicolas também tem um ponto muito forte sobre a questão da visão pessoal. Ao longo dos anos, ele aprendeu a aceitar que ninguém vai conseguir retratar as filhas dele como ele as retrata. Ele cita o pintor contemporâneo Jeremy Lipking, por exemplo, que tem uma técnica excepcional, mas o retrato dele de uma das filhas de Nicolas seria somente um retrato, sem toda a carga emocional envolvida. Precisamos aos poucos nos reconectarmos com essa carga emocional e também parar um pouco para analisa-la no trabalho de outras pessoas.

Sobre mostrar cadernos e/ou postar trabalhos, acho que vale separar o que é para você, o que é para quem pode genuinamente te ajudar a melhorar e o que é para o público geral, mesmo que isso tenha que ser fisicamente dividido, em cadernos diferentes. Todas essas coisas vão começar a se confundir com a prática, mas até isso acontecer, você certamente já estará mais consciente de quem você é, o que está fazendo e o resultado não impactará tanto o processo. Vale ressaltar o “tanto” da frase anterior, pois a insegurança com resultados faz parte do processo e nos acompanhará durante toda nossa vida.

Antes de continuarmos para as referências, gostaria de lembrar que teremos a oportunidade e o prazer de conhecer e assistir a uma aula do Nicolas Uribe aqui em São Paulo, no dia 26 de janeiro de 2019. Mais informações no link: http://www.pleinairstudio.com.br/calendario/workshop-nicolas-uribe/

Seguem então algumas outras referências e palavras sobre sketchbooks para você ver, analisar, absorver o que você se identificar e acrescentar na sua trajetória:

Jake Parker

Aaron Blaise

Série do THUTV - Karl Kopinski, Kim Jung Gi e Ruan Jia

James Jean

Scott Robertson e Neville Page

Chris Ayers

John Park

Darren Quach

Ahmed Aldoori

Sinix

Bobby Chiu

James Gurney

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Muito obrigado por acompanhar e bons estudos!

10 coisas... - Uma das melhores séries de posts da internet

10 coisas... - Uma das melhores séries de posts da internet

Hoje é um post "rápido" para compartilhar com vocês uma das melhores séries sobre arte e ilustração da internet, na minha opinião. E digo "rápido" porque não vai ter muito texto meu e sim muitos links. Para absorver este conteúdo vai levar bastante tempo, mas tenho certeza que você vai aprender muito também.

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Ombros de Gigantes - 10 referências de escultores para o estudo da figura humana

Ombros de Gigantes - 10 referências de escultores para o estudo da figura humana

Em mais um post de grandes referências, veremos desta vez alguns dos maiores nomes na escultura da figura humana. Este conteúdo conversa muito com o post sobre o desenho da figura humana, principalmente porque muito se pode aprender com estes escultores. As peças além de apresentar belíssimas representações da anatomia humana e drapeado, tambémdizem muito para o observador na forma como foram compostas, seu gestual, suas expressões e seu storytelling. Analise com calma cada obra, há muito o que aprender.

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Ombros de Gigantes - Dia Internacional da Mulher

Ombros de Gigantes - Dia Internacional da Mulher

Hoje, dia 8 de março, dia internacional da mulher, não poderia ser diferente, então selecionei algumas entrevistas com alguns dos maiores nomes dentre as mulheres do nosso mercado.

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Mike Azevedo e suas fantásticas pinturas digitais

Mike Azevedo é um artista paulista, de 22 anos, nascido na cidade de Osasco, que atua principalmente como freelancer de concept art e ilustração para o mercado de entretenimento. Formado em Design de Games pela Anhembi Morumbi, ele conta com diversos grandes clientes em seu currículo, como a empresa japonesa Applibot.

Ele leciona atualmente, na escola ICS - Innovation Creative Space, um curso de Pintura Digital, de 8 meses de duração, com turmas presenciais e online. Apesar de ainda não ter tido oportunidade de fazê-lo, recomendo fortemente (como já devem ter visto em outros posts)!

Além disso, é possível também aprender com ele através de seu canal do Livestream, Youtube e Gumroad, onde ele disponibilizou um tutorial fantástico sobre sua abordagem as cores:

Reconhecido mundialmente, ele já palestrou este ano no evento IFCC, na Croácia, e em setembro estará novamente em um evento internacional, desta vez no Trojan Horse was a Unicorn, em Portugal.

Ele também participou de eventos e entrevistas online, seguem algumas deles para quem quiser assistir:

Outro link interessante é a análise feita pelos artistas responsáveis pelo site Crimson Daggers (incluindo o grande Dave Rapoza), onde recebeu destaque e inúmeros elogios pela imagem abaixo, feita para um dos desafios do fórum:

Agora em agosto ele irá participar do evento brasileiro ICONIC, para o qual você pode se inscrever gratuitamente através do site.

Conversei com ele sobre seu desenvolvimento artístico e sua passagem pelo curso de Design de Games, mas vou deixar este tópico para outro post (no qual já estou trabalhando).

Fiquem a vontade para elogiar os desenhos e pinturas do Mike aqui nos comentários ou na página do facebook do projeto, afinal de contas, ele merece!

Obrigado mais uma vez Mike pela conversa e pela inspiração! E a todos por acompanharem!

Leia mais sobre Mike Azevedo:

Scott Robertson e sua carreira como artista e educador

Scott Robertson é um dos profissionais mais conhecidos do mundo do concept design para a indústria de entretenimento. Fez carreira dentro do Art Center College of Design, primeiro como aluno, depois como professor e até como diretor do curso de Entertainment Design.

Ele também desenvolveu ao longo dos anos uma sólida carreira de freelancer, tendo trabalhado em filmes como Minority Report e para as indústrias de ciclismo e carros como designer de produtos. Finalmente, é fundador da Design Studio Press, editora e publisher de livros voltados para a indústria do entretenimento e educação artística, englobando uma vasta gama de títulos. A imagem abaixo da uma idéia da quantidade de publicações da empresa:

Muitos destes títulos serão discutidos aqui no blog, pois estão entre os melhores em suas respectivas áreas.

Seguem alguns links interessantes do Scott:

Outras entrevistas no Youtube:

The Gnomon Workshop - Com uma lista dos DVDs publicados por ele através da Gnomon

Também existem alguns posts sobre ele no blog TheCAB, em português. Segue o link.

Exemplos de seus trabalhos:

Todos os que querem seguir uma carreira na indústria de entretenimento e/ou design de produtos tem que conhecer a trajetória e o que tem a dizer este mestre. Assista aos vídeos, leia a respeito, informe-se. Tentarei fazer mais publicações discutindo textos, livros e videos específicos publicados por ele no futuro.

Por fim, seguem as referências de algumas das publicações de sua autoria, para quem quiser comprá-las pela Amazon:

Lift Off
By Scott Robertson
BLAST: spaceship sketches and renderings
By Scott Robertson, Daniel Gardner, Annis Naeem
How to Render: the fundamentals of light, shadow and reflectivity
$24.07
By Scott Robertson, Thomas Bertling

Estou testando este formato de apresentar alguns dos artistas que serão discutidos no blog, tanto como forma de não ter de descrevê-los extensivamente em outras publicações, assim como mostrar àqueles que não os conhecem alguns dos principais nomes do mercado. O que vocês acham?

Mais uma vez, obrigado por acompanharem!