Desenho - Exercícios, técnicas e materiais para você começar ou se desenvolver

Este post é um complemento do post sobre como começar a desenhar de forma eficiente, que você pode acessar clicando aqui. Vamos começar revisando o que vimos rapidamente (esta parte foi retirada do resumo do post anterior).

Desenhar é um processo complexo, porém existem alguns elementos principais que você pode atacar para melhorar a eficiência dos seus estudos e consequentemente atingir melhores  resultados:

  • Desenvolver a capacidade de observar de forma analítica o que vai ser desenhado, entendendo a relação entre os elementos visuais da imagem, sejam espaços positivos ou negativos, contornos, ângulos e valores.
  • Desconstruir de forma linear um desenho em todos os seus fundamentos, incluindo formas geométricas simples, perspectiva, luz e sombra, composição e elementos específicos como anatomia e caracterização/personalidade por exemplo.
  • Praticar o suficiente para permitir uma melhor visualização antes mesmo de começar a desenhar, seja de imaginação ou até mesmo de observação, planejando como o desenho ficará no papel.
  • Utilizar todos estes processos para criar um desenho de imaginação, reconstruindo o que foi imaginado em sua cabeça para o papel. Para isso, pratique muito, experimente e erre. Ter um sketchbook sempre a mão é essencial!
  • Divirta-se! Este processo é para ser divertido e não desgastante! Foque no processo, nos fundamentos e na experimentação que os resultados virão com o tempo!

Neste segundo post, quero tratar mais especificamente das etapas de observação e desconstrução, apesar de termos visto que tudo esta de uma forma ou de outra conectado com o desenho de imaginação. Vale ressaltar que este é um texto longo e denso, devendo ser lido e estudado com calma. Tentei criar um guia de estudo, uma provocação ao pensamento e a pesquisa, e não somente um texto de leitura fácil e rápida.

Arte de Peter Han

Arte de Peter Han

Vou usar como base na sugestão de materiais e exercícios principalmente os sites Ctrl+Paint e Proko, adicionando outros materiais onde achar conveniente. Primeiramente, gostaria de falar um pouco sobre ambos. Para mim, Ctrl+Paint é um dos melhores conteúdos de Pintura Digital para iniciantes, a didática do artista Matt Kohr e o cuidado com o qual ele edita os vídeos é impressionante. Estou fazendo um post sobre pintura digital e certamente o usarei como base também. O outro site, do artista Stan Prokopenko, é referência importantíssima principalmente para o desenho da figura humana, para o qual também estou desenvolvendo um post.

Ambos tratam, porém, dos princípios fundamentais do desenho, importantes tanto na pintura digital quanto no desenho de anatomia e da figura humana, e é dessas partes dos sites que falaremos aqui hoje. Para dar início a discussão e dividir o post em tópicos utilizei um vídeo introdutório do Ctrl+Paint que divide seus vídeos sobre desenho em materiais, desenho de observação/desconstrução e posteriormente desenho de criação. Segue o vídeo:

Vamos quebrar o post em tópicos seguindo a mesma linha de raciocínio:

  • Materiais
  • Aquecimento e habilidade manual/traço
  • Ver
  • Desconstruir
  • Próximos passos

Não vou traduzir o conteúdo de todos os materiais que estão listados aqui. Como já falei anteriormente, acredito que inglês é uma língua essencial para quem quer trabalhar no mercado de entretenimento. Além disso, seria muito conteúdo para traduzir e acredito que eu possa acrescentar mais em outros aspectos. Se alguém tiver alguma dúvida pontual, fique a vontade para me procurar que ficarei feliz em esclarecer.

Materiais

Acho que o primeiro passo para nossa conversa são os materiais, tanto Proko quanto Ctrl+Paint tem vídeos muito interessantes sobre os temas e vale muito a pena assistí-los.

Porém, tendo a dizer que você não deve, no começo, se preocupar tanto com o material que está usando. Pode ser qualquer lápis, caneta, giz de cera, lápis de cor ou canetinha, o que importa é que você faça e que seja minimamente confortável, pois você passará inúmeras horas estudando.

Quanto a dureza do lápis, HB, 2B, 4B ou 6B, vai depender muito de como você vai utilizar e cada um tem seus lados positivos e negativos. No começo, como você provavelmente vai apagar muito, um lápis mais duro como um HB ou 2B tende a ser mais conveniente, permitindo uma maior flexibilidade. Mas repito, não use isso como desculpa para não desenhar! No longo prazo, você vai começar a sentir necessidade de ter novos materiais e aí sim estes se farão necessários. Toda casa tem pelo menos uma caneta de brinde perdida em algum lugar, na dúvida, comece com ela!

Aquecimento e habilidades manuais/traço

Apesar da questão de soltura e confiança no traço serem bem valorizada entre desenhistas e principalmente entre estudantes de desenho, muito pouca atenção se dá aos exercícios de trabalho das habilidades manuais, que podem e devem também ser utilizados como aquecimento e reforço destes skills ao longo de toda a carreira de um artista.

Tanto o Ctrl+Paint quanto o Proko falam sobre o controle sobre a ferramenta, no caso o lápis, em vídeos específicos, vale assistir a ambos e tirar suas próprias conclusões. 

Exercício 1: 5 páginas de ovais segurando o lápis pela parte de trás. O movimento será feito pelo braço todo e os ombros, e não pelos dedos.

Experimentar formas de segurar o lápis e praticar as técnicas usadas por bons artistas é sempre interessante e trás muitos benefícios ao artista. Um ponto importante também é encontrar uma forma de que seja confortável e que não causará stress muscular ou danos no longo prazo. Lembre-se também de sempre fazer pausas e alongar! Existem dois vídeos muito interessantes sobre ergonomia e a Síndrome do Túnel do Carpo, um mal que atinge muitos artistas, feitos pelo artista Daarken. Seguem os links, pois não consigo colocar os vídeos aqui: Ergonomia e Síndrome do Túnel do Carpo.

Os cursos Dynamic Sketching 1 e 2 da escola online CGMA dão bastante ênfase ao desenvolvimento das habilidades manuais, nestes vídeos de apresentação do curso da para aprender uma série de exercícios muito interessantes:

Exercício 2: Desenhar uma linha reta a mão livre com a caneta (importante ser de caneta) a 90 graus com relação a folha e depois traçar por cima da mesma 8 vezes. Fazer o mesmo para curvas e ondas.

Exercício 3: Traçar linhas deixando espaços entre elas e preencher com círculos e elipses de diversos tamanhos, formatos, direções e posições, assim como apresentado no primeiro vídeo.

Existem outros exercícios descritos que valem a pena experimentar! Feng Zhu, renomado concept artist e professor, também tem um vídeo no youtube sobre exercícios de prática e aquecimento (este vídeo faz parte, se não me engano, de uma série de DVDs que o artista fez para a Gnomon Workshop) :

Exercício 4: Marcar 2 pontos em uma folha de papel e traçar uma reta a mão livre entre os 2, repetir quantas vezes puder (este exercício é muito interessante para desenvolver a capacidade de traçar linhas sem o auxílio de réguas).

Scott Robertson, tanto em seu livro How to Draw (para o qual fizemos uma revisão aqui neste outro post), quanto em seu DVD de Basic Drawing, para a Gnomon Workshop, enfatiza muito estas práticas também, sugerindo uma série de exercícios como este que acabamos de sugerir e os do vídeo abaixo.

Exercício 5: Traçar elipses corretas (que respeitem minimamente as regras de construção apresentadas no vídeo) a mão livre e encontrar o eixo menor (minor axis).

Desenhar a mão livre é mais uma questão de velocidade e acurácia do que uma demonstração de habilidades. Você sempre poderá contar com ferramentas como régua e gabaritos de elipses caso tenha que fazer um desenho com maior precisão. Porém na prática do dia a dia, seja no seu sketchbook ou outras mídias, é importante conseguir esboçar de forma rápida e confiante. Nunca se sabe quando você terá que fazer um sketch rápido para demonstrar uma idéia para um cliente ou ao registrar algo que apareceu subitamente na sua cabeça.

Ver

Como falamos no post anterior, aprender a ver é habilidade fundamental para o desenho e existem exercícios e técnicas que podem auxiliar nesta prática. Vamos passar pelos elementos principais do desenho de observação e suas técnicas específicas.

Não custa citar novamente o livro Desenhando com o lado direito do cérebro como uma das melhores referências para iniciantes.

Medição (Measuring)

Desenhar, como já dissemos anteriormente, é aprender a ver. E aprender a ver, também é aprender a desconstruir aquilo que se está vendo, isto é, entender as relações visuais entre ângulos, shapes e espaços positivos e negativos. A primeira técnica para começarmos esta desconstrução da imagem é a medição, ou measuring, das relações angulares e espaciais entre as linhas e shapes, com auxílio de ferramentas como o lápis ou somente de observação.

Eu particularmente valorizo bastante o desenvolvimento da percepção sem a utilização de técnicas e artifícios, porém no começo da jornada pode ser frustrante não utilizá-los e os mesmos são bem úteis para conferir e ajustar os desenhos. Seguem dois vídeos do Ctrl+Paint e um do Proko muito completos sobre o assunto:

Exercício 6: Desenhar seu celular (ou outro elemento retangular) 20 vezes, dentro de "molduras^ retangulares de 5 por 8 cm. Utilize as técnicas do primeiro vídeo de measuring.

Exercício 7: Desenhar algum objeto real utilizando a técnica de measuring de proporções, do segundo vídeo do Ctrl+Paint

Exercício 8: Tentar as mesmas abordagens dos exercícios anteriores sem utilizar ferramentas para a medição, somente através do olhar e da percepção.

Contorno externo

O contorno externo também é um elemento muito importante e muito valorizado no livro Desenhando com o lado direito do cérebro. Este vídeo abaixo sugere uma forma de estudar esta técnica, porém gostaria também de sugerir seu estudo sem as ferramentas de blocagem que ele utiliza.

Exercício 9: Escolher 10 objetos simples e desenhar o contorno externo

Exercício 10: Desenhar os mesmos objetos ou outras referências com silhuetas marcadas (por exemplo no curso do mestre Maurício Takiguthi utilizávamos imagens do homem-aranha, que apresenta formas não muito complexas e uma silhueta bem marcada) sem os artifícios do vídeo, somente olhando com muita calma todas as deformações na silhueta, mudanças de ângulo e de direção, de preferência sem tirar o lápis do papel.

Exemplo retirado da internet

Exemplo retirado da internet

Linear Block-in

A próxima técnica, Linear Block-in, é muito importante e será utilizada constantemente no desenho de observação, principalmente em exercícios como modelo vivo (estou fazendo uma desconstrução do desenho da figura humana no qual entrarei em mais detalhes). É importante, como Matt Kohr fala no vídeo, fazer o maior número de revisões possíveis, utilizando as técnicas anteriores de ângulos e contorno externo, assim como olhar os espaços positivos e negativos, que veremos mais a frente. Quanto menores forem os espaços que você estiver blocando, mais fácil será a revisão e mais corretos serão suas linhas e shapes.

Exercício 11: Desenhar 5 objetos seguindo os conceitos do vídeo acima, você pode utilizar as silhuetas como a do homem-aranha também, mas tente sempre utilizar objetos reais, pois você já estará treinando sua habilidade de traduzir de 3D para as duas dimensões do papel

Espaço Negativo

Espaços negativos são componentes essenciais de uma imagem e muitas vezes negligenciados. Seu estudo não só ajudará no desenvolvimento da percepção, mas também no mais importante dos fundamentos, na minha opinião, a composição. Este vídeo do Ctrl+Paint sugere um exercício tanto para demonstrar o que efetivamente são os espaços negativos e positivos, quanto para valorizar o impacto destes na imagem como um todo.

Exercício 12: Desenhar 3 objetos complexos somente com espaços positivos e negativos, assim como apresentado no vídeo acima

Revisando e aplicando

Com todas estas ferramentas em mãos, você pode experimentar e encontrar aquela ou aquelas que mais se adequam ao seu processo. O vídeo abaixo fecha esta sessão do Ver, resumindo o uso das ferramentas e sugerindo um exercício para juntar tudo em seus desenhos. Como disse no post sobre desenho, este mundo do Ver é praticamente infinito em seu escopo e principalmente em sua complexidade, por isso, existem muitos outros materiais e conceitos a serem explorados que não incluí nesta discussão. 

Exercício 13: Fazer um desenho de linhas bem acabado de uma natureza morta, utilizando as ferramentas que você preferir. Tente fazer mais de um desenho utilizando combinações diferentes para experimentar e encontrar as ferramentas que mais se adequam a você

Desconstruir

Aprendemos até aqui uma série de abordagens bidimensionais para o desenho de observação e que podem também ser usadas no desenho de imaginação. Porém, como vimos no post anterior sobre o desenho, existe também uma abordagem tridimensional, estrutural, para facilitar a desconstrução e posicionamento dos objetos no espaço. Nesta etapa, aqueles exercícios de aquecimento e treino das habilidades manuais serão ainda mais importantes, pois você terá que fazer muitas retas e elipses em seus desenhos. Proko explica muito bem esta abordagem no vídeo abaixo.

Neste outro, agora do Ctrl+PaintMatt Kohr explica detalhadamente este processo de desconstrução de um objeto em formas simples. Quanto mais você conseguir simplificá-lo, mais fácil será posicioná-lo no espaço.

Exercício 14: Encontre um objeto simples, como uma caneca por exemplo, siga os passos para sua desconstrução tridimensional e depois tente desenhá-las em todos os ângulos que puder imaginar, você verá que não é um processo fácil.

Neste outro exemplo, ele diz que sempre teve dificuldade em desenhar carros, pois sempre os viu como shapes (bidimensionais) complexos. Quando ele passou a vê-los como estruturas tridimensionais que ele poderia simplificar, o processo ficou muito mais simples. Para praticar, ele sugere o uso de insetos, que tem partes complexas, mas que podemos simplificar bastante. Como exercício, ele sugere primeiramente traçar linhas de contorno e encontrar formas por cima de fotos de insetos, usando um papel vegetal ou o Photoshop, se você tiver estas habilidades.

Feng Zhu também sugere para seus alunos, como vimos nos posts de análise da FZD, o desenho de objetos e especificamente insetos para a prática do desenho tridimensional. Porém ele propõe o uso da ferramenta que para mim é uma das mais importantes e ao mesmo tempo mais negligenciadas do desenho: a Perspectiva. Vamos falar, na sequência, um pouco sobre ela e exercícios que podemos utilizar para evoluir.

Arte de Feng Zhu

Arte de Feng Zhu

Exercício 15: Experimente a mesma abordagem que você fez para o objeto simples do exercício 14, mas agora com fotos de insetos, primeiramente, se necessário, passando por cima como no vídeo, para posteriormente reconstruir na folha de papel em branco.

Esta abordagem pode ser usada para todo tipo de desenhos, de objetos simples, passando por carros, como vimos, e até criaturas fantásticas como no exemplo abaixo, para o qual ele utiliza uma referência do jogo World of Warcraft.

Quanto mais complexo o objeto, mais se fará necessária a simplificação e o uso de ferramentas e técnicas de perspectiva.

Perspectiva

Perspectiva nada mais é do que uma série de regras ópticas que regem tudo que vemos em três dimensões. Mas não precisamos desde o princípio pensar nisto como uma coisa matemática, complicada e chata, afinal de contas, se pararmos para observar, a perspectiva faz parte do nosso dia a dia e temos a percepção bem aguçada para notar se algo parece "torto" em um desenho. Neste vídeo abaixo, o Ctrl+Paint apresenta um exercício de visualização da perspectiva em ação, observando as relações entre ângulos de uma caixa quadrada sobre uma folha de papel. Se quiser "ganhar pontos extras", utilize uma luminária para gerar uma sombra projetada.

Exercício 16: Utilize uma caixa ou quadrado qualquer e uma folha de papel para replicar o exercício do vídeo, tente visualizar as relações angulares tanto da caixa quanto do papel e como elas tendem a convergir para pontos que chamamos de pontos de fuga ou vanishing point em perspectiva. Tente também utilizando a luminária para observar as relações entre os ângulos e linhas da caixa e de sua sombra projetada.

Neste outro exercício, Matt Kohr apresenta os grids de perspectiva como mais uma forma de visulizar a importância deste conceito.

Exercício 17: Utilize a imagem abaixo para repetir o processo que vimos no vídeo. Esta experiência será interessante tanto para entender como as linhas guia funcionam assim como perceber a importância desta ferramenta, sem entrar nas questões técnicas ainda.

Imagem retirada do site Ctrl+Paint

Imagem retirada do site Ctrl+Paint

Por fim, ele apresenta o conceito essencial da perspectiva, a Linha do Horizonte, com a qual todas as linhas dos objetos, de uma forma ou de outra, irão se relacionar. Não vou entrar em conteúdos muito técnicos aqui porque acho que cabe a cada um de vocês pesquisarem e aprenderem sobre o tema.

Exercício 18: Utilize a imagem abaixo para fazer o exercício proposto no vídeo (se quiser fazer de forma, tradicional, você pode imprimir o arquivo baixando a versão preto e branco clicando aqui)

Imagem retirada do site Ctrl+Paint

Imagem retirada do site Ctrl+Paint

Com a masterização dos conceitos de Perspectiva, ficará ainda mais fácil desenhar qualquer objeto através da abordagem tridimensional. Seguem alguns exemplos desenvolvidos por Feng Zhu para ilustrar este ponto.

Arte de Feng Zhu

Arte de Feng Zhu

Arte de Feng Zhu

Arte de Feng Zhu

Para buscar mais informações, recomendo quatro materiais. Primeiramente a série de vídeos Perspective Sketching desenvolvida pelo próprio Ctrl+Paint, onde são apresentados os conceitos de forma simples e aplicada ao desenho.

O segundo é o livro How to Draw, para o qual já fiz um post no passado, que apresenta conceitos mais técnicos, mas sempre correlacionando estes com o desenho de cenários, prédios, objetos e veículos.

Por último, recomendo para aqueles que querem se aprofundar nos conceitos técnicos e ter fundamentos sólidos sobre este tópico, o curso de Erik Olson para a New Masters Academy e os DVDs de Gary Meyer para a Gnomon Workshop.

Imagem retirada do site New Masters Academy

Imagem retirada do site New Masters Academy

Como disse antes, perspectiva é um tópico complexo que merece muita atenção, principalmente de artistas iniciantes. Seja aprendendo os conceitos técnicos ou desenvolvendo a percepção ao ponto de quase não precisar deles, você utilizará este conceito durante toda sua carreira artística.

Profundidade

Perspectiva, porém, não é a única forma de representar profundidade e tridimensionalidade em mídias bidimensionais. Proko apresenta, nesta série de vídeos chama The Illusion of Depth (A Ilusão da Profundidade), princípios que podem ajudar seu desenho a sugerir mais volume.

Com relação ao que ele chama de Line Weight (ou peso da linha), o Ctrl+Paint e Scott Robertson também tem vídeos muito interessantes sobre o assunto. Vale a pena conferir:

Valor

A próxima etapa no desenvolvimento do desenho é o uso de tons e não só linhas, que foi basicamente o que vimos até aqui. Uma vez que tivermos posicionado corretamente um objeto no espaço, podemos agora iluminá-lo. Para tal, ainda faremos muito uso dos conceitos de Perspectiva, principalmente na projeção de sombras. Nestes dois vídeos do Proko são apresentados os elementos básicos da luz e sua aplicação direta no desenho. 

Exercício 19: Construa uma escala tonal em diferentes materiais, incluindo lápis de maciez variada, carvão, marcadores, o que você tiver disponível. Se precisar, busque referências na internet ou de preferência faça você mesmo um gabarito no Photoshop.

Exercício 20: Experimente pegar uma esfera ou um ovo (como no exemplo do vídeo) e iluminá-la, somente para que você possa observar cada um dos elementos descritos. Depois, tente levá-los para o papel.

O estudo de luz e valores no desenho é peça chave para o avanço em direção a pintura e ao uso de cores no futuro. São estes que darão a sensação de volume aos objetos, organizarão a leitura da imagem e criarão o clima. Neste exemplo abaixo, Matt Kohr apresenta os conceitos na pintura digital, porém podemos aplicar as mesmas idéias em nossos desenhos tradicionais.

Exercício 21: Busque referências de fotos em preto e branco e faça um desenho de observação, prestando atenção nos elementos apresentados anteriormente, como sombra projetada, core shadow, highlight, etc. Você verá como diferentes materiais se comportam de formas muito diferentes quando expostos a uma mesma luz. Se possível, faça o mesmo com objetos reais na sua casa, aumentando gradativamente a complexidade.

Seguem outros dois vídeos muito bons sobre a importância dos valores, um do Ctrl+Paint e outro do canal do Youtube do artista Anthony Jones.

É muito importante dar um passo de cada vez. Além disso, com a prática, podemos atingir resultados excepcionais somente com valores, como vocês podem ver no exemplo abaixo da artista Karla Ortiz. Mesmo no desenho tradicional, podemos atingir uma ampla escala tonal e representar fielmente a realidade.

Arte de Karla Ortiz

Arte de Karla Ortiz

Recomendo dois materiais para evoluir nestes estudos (de muitos outros bons que existem pela internet). O primeiro deles é o vídeo Basic Photoshop Rendering, de uma série sobre o tema vendidos na loja do Ctrl+Paint. Apesar de utilizar o Photoshop como ferramenta, os conceitos podem ser aplicados na mídia tradicional.

O segundo é o livro How to Render, de Scott Robertson, sobre o qual já falei anteriormente em outros posts. Pretendo fazer um review deste assim como fiz para o How to Draw, porém primeiro tenho que terminar de estudá-lo. No livro, ele passa por todos os conceitos de luz, desde a projeção de sombras até a reflexão, refração e absorção desta em diferentes materiais. Vale muito a pena conferir!

How to Render: the fundamentals of light, shadow and reflectivity
$25.27
By Scott Robertson, Thomas Bertling

Resumo

Resumindo, o que compõe um desenho? Este vídeo abaixo, do canal Proko, apresenta uma quebra da imagem em Shape (forma bidimensional), Cor (e seus elementos estruturantes) e Borda. No caso do desenho, a cor é reduzida ao valor, pois não existem diferentes pigmentos e saturações (vamos revisitar este vídeo e este assunto quando formos falar de pintura).

Cada elemento destes apresenta grande complexidade por si só e a composição de todos em uma imagem final pode se tornar ainda mais complexa. Neste post, focamos somente em Shapes, e como estes podem sugerir objetos tridimensionais posicionados no espaço, e Valores, e sua relação com a luz e sombra e com a sugestão de volumes. O estudo de Bordas tem suas próprias técnicas e conceitos, que você pode ver resumidamente no vídeo abaixo: 

Desenhar nada mais é do que balancear todos estes elementos. Por isso, não existe nada mais importante na evolução artística do que praticar em quantidade e de forma estruturada, aprendendo cada conceito novo somente após ter desenvolvido minimamente o anterior. Matt Kohr frisa várias vezes em seus vídeos o quanto não é e não deve ser glamouroso o estudo dos fundamentos. Focar primeiramente em objetos simples, como cubos e esferas, pode adiantar anos de tentativas frustradas de desenhar e pintar dragões e naves espaciais. Ele sugere, no vídeo abaixo, mais uma vez o estudo de naturezas mortas, onde você pode controlar facilmente todos os elementos envolvidos, incluindo forma, material, cor, quantidade e iluminação.

Pratique, experimente, erre, mas não se frustre, isso faz parte do processo! Anthony Jones diz que mais importante do que aprender como desenhar e pintar, é aprender a como não parar de desenhar e pintar. Veja mais dicas dele no post do evento Creative Juice Expo, clicando aqui. Matt Kohr também deu dicas muito interessantes neste vídeo abaixo sobre o hábito de desenhar. Crie esse hábito na sua vida também, mesmo que seja por alguns minutos todos os dias. Se force a no mínimo quebrar a inércia, pegar papel, lápis e desenhar qualquer coisa todos os dias, pode ser por exemplo um simples rosto sorrindo (o famoso smile, aquele igual as batatinhas). Só de pegar o material, você vai ver como aos poucos vai começar a desenhar mais. Deixe tudo sempre a mão e de fácil acesso, de preferência um sketchbook onde você pode documentar sua progressão e ver o quanto você evoluiu. Veja mais dicas sobre prática na retrospectiva que fiz do ICONIC, clicando aqui.

Por fim, se você quiser começar a desenvolver seu desenho de criação, utilize como base objetos reais e os modifique, acrescentando e excluindo formas e volumes, assim como no vídeo do Ctrl+Paint abaixo. Para tal, você precisará utilizar todos os conceitos que vimos neste post e uma percepção bem desenvolvida. Divirta-se!

Gostou deste conteúdo? Compartilhe com os amigos através do botão de Share logo abaixo do post! Se inscreva também na lista de e-mails e na página do Facebook para ficar por dentro de todas as novidades!

Leia também outros posts sobre desenho:

Obrigado por acompanhar!