Desenho da Cabeça Humana - Como estudar de forma eficiente

Dando continuidade à nossa discussão sobre o desenho da figura humana, iniciada neste outro post, falaremos hoje sobre o rosto e sua importância na expressividade de uma obra. Para motivar a conversa, segue uma bela obra do artista Maurício Takiguthi:

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

Assim como fizemos no outro post, esta conversa será dividida em três etapas:

  • Abordagem bidimensional
  • Abordagem tridimensional
  • Prática e aprendizado

Os mesmo princípios que regem sobre todo o aprendizado do desenho e especialmente no da figura humana não poderiam ser diferentes para o estudo do rosto. Acredito só que neste último a dificuldade seja elevada a um novo patamar. Como estamos acostumados a encontrar e reconhecer rostos todos os dias, quaisquer pequenas alterações, muitas vezes milimétricas serão perceptíveis e até gritantes, principalmente quando buscarmos o likeness, a semelhança com um modelo específico.

Tentarei novamente apresentar cada uma das abordagens sem fazer julgamento de valor. Cada uma possui seu propósito, aplicação específica e também podem ser combinadas no processo de cada artista.

Vale também pontuar que o quero discutir aqui como abordagens são as ferramentas utilizadas e minha avaliação sobre os processos. Assumirei que a ferramenta de shape é bidimensional enquanto o form é tridimensional. Existem conceitos muito complexos principalmente relacionados ao pensamento e a intenção por trás dos processos, sobre a qual não consigo opinar com propriedade.

Abordagem Bidimensional

A abordagem bidimensional é baseada na leitura e tradução de shapes nas posições, formatos, tamanhos e valores corretos. Existe para tal a possibilidade da utilização ou não de ferramentas de medição. Como já apresentamos o conceito no post sobre o desenho da figura, seguiremos com exemplos de cada uma das abordagens. Na sequência de exemplos que utilizei aqui poderemos ver como o uso das ferramentas de medição vai diminuindo ao mesmo tempo que a abstração vai aumentando.

Nestes exemplos abaixo de David Jamieson podemos ver que ele usa muito a medição para o posicionamento de ângulos e proporções. Preste atenção no começo dos vídeos.

Theodora Capat também tem um processo semelhante, veja no vídeo abaixo:

Assim como no desenho da figura, o conhecimento da anatomia e estruturas ósseas no rosto podem auxiliar na leitura e posicionamento de landmarks e shapes, como é o caso deste exemplo de Dan Thompson.

David Kassan, um dos aclamados retratistas da atualidade, tem um processo um pouco mais solto. É interessante perceber como ele posiciona marcações e massas mais amplas de valor no papel para encontrar as proporções básicas, dependendo muito menos dos artifícios do artista anterior. Uma vez que tudo estiver posicionado corretamente, parte para a configuração e detalhamento, utilizando até o auxílio de um monóculo para ver de perto os detalhes no modelo. Este processo faz-se necessário para buscar o nível de configuração que ele definiu para seu trabalho.

Neste caso, a anatomia e os elementos constituintes do rosto (em inglês features), como olhos, nariz, boca e orelhas, são abstraídos em grandes massas e a posterior leitura de shapes cada vez menores para a configuração. A luz é menos pensada como luz sobre a forma tridimensional, porém ela se configura pela leitura bidimensional do modelo.

Alguns outros trabalhos de David Kassan:

 Arte de David Kassan

Arte de David Kassan

 Arte de David Kassan

Arte de David Kassan

Estes exemplos abaixo mostram mais um passo na direção da abstração, com o trabalho dos artistas Zimou Tan e Casey Baugh.

Burton Silverman tem um trabalho muito focado no que é o pictórico em sua essência, baseando quase em sua totalidade (algo muito complexo) o que desenha no que está vendo e não em imagens preconcebidas. É interessante perceber que neste primeiro exemplo ele usa muito poucas massas de valor na blocagem, utilizando a linha como ferramenta da abstração e marcação/posicionamento dos shapes.

Alguns outros trabalhos de Burton Silverman:

 Arte de Burton Silverman

Arte de Burton Silverman

 Arte de Burton Silverman

Arte de Burton Silverman

Por fim, o artista Maurício Takiguthi também adota esta postura de buscar o pictórico em sua essência. Vamos ouvir algumas de suas palavras neste post recente de seu blog:

"A característica da construção do processo pictórico é que não se dá de maneira sequencial, separando a estrutura do desenho da estrutura da massa. Há alternância entre as duas sem seguir qualquer tipo de regra. Tampouco há medição racional ou mecânica de qualquer natureza em relação ao ângulo da linha, proporção, forma ou mesmo plano tridimensionais da figura. Os espaços bidimensionais são explorados visualmente por sensação, tanto pela linha como pela massa.
Consiste num sistema em que se trabalha a improvisação tendo como lastro critérios de ordenamento, embora não haja regras do que fazer.
O compromisso com o processo (meio) consiste em não recorrer a nenhuma espécie de subterfúgio para garantir o êxito (fim). A aceitação óbvia de que resultado deva ser consequência, produto natural do meio, é condição fundamental na prática pictórica."
Maurício Takiguthi

Além das imagens que você encontra no post, seguem alguns outros exemplos em que ele demonstra o processo de abstração em grandes massas e o posicionamento de shapes cada vez menores até a configuração, sempre mantendo a estrutura das massas e do desenho abertas para correções.

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

Vale notar neste exemplo abaixo como de longe a configuração é muito maior do que de perto. Este é um processo extremamente complexo e atingir este nível de qualidade e abstração requer anos de estudo e prática.

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

Por fim, outro exemplo da aplicação de massas e linhas para configurar um retrato.

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

Quer conhecer mais um pouco? Acesse o blog do artista clicando aqui. Ele discute muito mais a fundo os conceitos e tem muito mais propriedade para opinar a respeito desta abordagem.

Abordagem Tridimensional

A abordagem tridimensional, assim como na figura humana, baseia-se na visualização de volumes no espaço (form) e sua tradução no papel respeitando regras de perspectiva linear e luz e sombra.

Existem inúmeros métodos, incluindo desde os mais simplistas, como imaginar a cabeça como uma oval, até quebras detalhadas de planos como o Reilly Method. Vou apresentar alguns materiais interessantes sobre o tópico, dividindo entre visualização de grandes volumes, proporções, anatomia, features (ou elementos básicos do rosto, nariz, boca, olhos, orelhas e cabelo) e expressões faciais.

Um cuidado a se tomar é que temos a tendência, especialmente no desenho do retrato, à utilizar ícones preconcebidos para representar o que queremos transmitir no desenho. Autores como Betty Edwards, em seu livro Desenhando com o Lado Direito do Cérebro, e Harold Speed, em The Practice and Science of Drawing, discutem bastante este conceito do ponto de vista do desenho de observação, onde devemos focar no que estamos vendo e não no que sabemos sobre determinado assunto. Harold Speed tem um exemplo em seu livro que resume muito bem esta questão. Na figura abaixo podemos dizer que a figura A seria a representação clássica, infantil, do rosto humano, cheia de ícones, enquanto a figura B seria o que deveríamos na verdade desenhar se fôssemos tentar representar o que estamos vendo. Discutimos mais profundamente este conceito no post sobre como começar a desenhar de forma eficiente, acesse clicando aqui.

No desenho tridimensional, racional, é ainda mais fácil recorrermos ao que achamos que sabemos a respeito de determinada parte do rosto. Tenha isso em mente durante seus estudos e evite cair em fórmulas prontas de representação. Conteste sempre se aquilo deve ser daquela forma, como por exemplo se aquele é o formato mais interessante para representar um nariz, um olho ou uma boca. Mesmo que a representação funcione e passe a ideia, busque sempre a melhor solução visual.

Grandes volumes e proporções

Vamos começar o estudo pelas grandes massas tridimensionais, os volumes e proporções da cabeça humana. A escola online New Masters Academy divulgou em seu canal do Youtube este tutorial de 3h com Steve Huston abordando exatamente este tópico e o princípio do estudo da cabeça humana.

É notável o quanto Steve simplifica as formas básicas antes de avançar para a configuração.

Neste vídeo abaixo, temos outro exemplo de simplificação de volumes, onde o pintor realista David Leffel resolve a pintura de um rosto a partir de uma forma oval. Este é um bom exemplo onde já não sei dizer se a abordagem é tridimensional ou bidimensional. David Leffel é um pintor pictórico, mas fica difícil, pelo menos para mim, dizer que tipo de pensamento está sendo utilizado aqui. O que fica claro é que é possível construir um rosto a partir de uma forma oval.

Além destes, existem inúmeros tutoriais na internet descrevendo o desenho de cabeças, seja voltadas para aplicações específicas, como quadrinhos, manga ou cartoon, ou até mesmo do desenho realista. Como conversamos no post sobre a importância do Drawing from Life, tente focar no realista primeiro, buscando entender nas soluções estilizadas o que entrou, o que saiu e o que mudou, só assim você irá desenvolver seu próprio estilo no longo prazo. Segue um tutorial da escola CGMA com Christian Nacorda.

Stan Prokopenko tem uma extensa série de vídeos sobre o tema, vamos ver ao longo do post vários exemplos feitos por ele. Nestes quatro vídeos abaixo, ele apresenta o desenho da cabeça de diferentes ângulos. Este é um conceito importantíssimo para que você atinja a capacidade e flexibilidade para desenhar o rosto de imaginação, na posição que for conveniente para sua imagem e não ficar dependendo exclusivamente de fotos de referência.

Anatomia

Apesar de muito negligenciada em retratos, o aprendizado da anatomia será de suma importância na compreensão dos volumes do rosto, mas principalmente os movimentos, contrações e relaxamentos musculares envolvidos nas diversas expressões faciais.

Crânio

O primeiro passo, assim como na figura inteira, são os ossos, e nesse caso específico, o crânio. Este será o verdadeiro responsável pelos volumes do rosto, assim como etnia, caracterização e distorções.

 Arte de Adam Skutt

Arte de Adam Skutt

Segue um breve tutorial sobre o tema, demonstrando as proporções básicas e construção:

Nestes vídeos abaixo, o escultor digital e professor Rafael Souza apresenta sua visão sobre a modelagem anatomia, porém também discute pontos importantíssimos sobre o crânio. Ele demonstra de forma bem simplificada e cheia de exemplos o quanto o crânio influencia na identificação de gênero e etnia de uma pessoa, vale muito a pena conferir com calma estes vídeos e os outros de seu canal do Youtube.

Já nesta outra série abaixo, podemos ver um pouco da visão de Glenn Vilppu, parte de seus cursos online:

Músculos

Uma vez compreendidas as proporções e a estrutura óssea é hora de passar para o posicionamento da musculatura, uma tarefa complicada quando se trata do rosto humano. Este ecorche abaixo, do artista Adam Skutt, nos mostra quão complexo pode ser este estudo, com uma gama extensa de músculos, cada um apresentando funcionalidades específicas.

 Arte de Adam Skutt

Arte de Adam Skutt

 Arte de Adam Skutt

Arte de Adam Skutt

Elementos do Rosto (Features)

Estes, normalmente são os pontos nos quais focamos o estudo do rosto humano, nariz, olhos, boca, orelha e cabelos. Porém, os principais erros acontecem em dois pontos que acabamos de discutir,  os volumes gerais e o posicionamento tridimensional destes no espaço. Procure praticar exaustivamente com formas simples antes de partir para a configuração. Você verá que tudo será facilitado no futuro e serão evitados vícios e distorções indevidas. Não comece pelos tutoriais de "como desenhar cabelos" ou de "como fazer olhos estilo manga".

Quando chegar a hora, entender a fisionomia e anatomia de cada elemento, assim como sua representação visual e variações, ajudarão muito a configurar um rosto realista e também os estilizados. A série de vídeos de Proko abaixo aborda cada um dos elementos separadamente:

Glenn Vilppu também tem um curso muito interessante, do qual estes dois vídeos abaixo fazem parte:

Neste vídeo abaixo podemos ver a abordagem do pintor realista David Leffel para o olho humano:

Métodos

Existem inúmeros métodos de abordagem do desenho da cabeça humana e cada artista irá encontrar o que combina mais com seu processo e fará as alterações que achar convenientes. Um destes exemplos é o Reilly Method que você pode conhecer no vídeo ao lado:

Nesta sequência vou apresentar uma série de vídeos das mais diversas aplicações e processos de diferentes artistas, vale a pena assistir, tentar identificar qual é o pensamento por trás da construção e ver se o mesmo se aplica em sua forma de desenhar:

Stan Prokopenko

Escultura

A escultura também é uma ferramenta interessante para o aprendizado das formas tridimensionais da cabeça humana. Tanto o desenho alimenta a sua capacidade de esculpir como sua escultura alimenta sua capacidade de desenhar. Veja este exemplo abaixo do grande desenhista Robert Liberace mostrando que também sabe muito sobre escultura.

Existe muito material sobre o assunto na internet, seja para o estudo digital ou tradicional. Estes dois vídeos abaixo, também de Rafael Souza, que já foi citado neste post, mostram a aplicação de todos estes conceitos em um rosto feminino através da escultura digital.

Já esta introdução ao curso de Jordu Schell na New Masters Academy demonstra os mesmos na escultura tradicional.

Expressões

Expressões faciais são um dos tópicos mais complexos da arte figurativa. Muito da expressividade de uma imagem estará nos rostos e nas mãos das figuras presentes na cena. Em especial, suas expressões faciais dirão muito sobre o que está acontecendo, qual a emoção a ser passada e um pouco sobre a história por trás da peça. Este vídeo abaixo demonstra o quanto alterações sutis já fazem grande diferença na configuração de expressões:

Existe uma série de músculos responsáveis pela maior parte das expressões. Suas diferentes combinações de contração e relaxamento serão determinantes na configuração de cada expressão. Os vídeos abaixo apresentam a musculatura do rosto responsável pela expressividade:

Na arte realista e em especial na animação computadorizada, qualquer pequena alteração irá gerar um grande desconforto no observador. Este é o chamado Uncanny Valley. Sendo assim, os filmes mais modernos têm utilizado recursos como a captura dos movimentos do rosto para replicá-los em modelos 3D. Você pode ver um pouco do processo no vídeo abaixo:

Mas não só de realismo vive a arte, expressões estão em toda representação figurativa. No cartoon, principalmente, as distorções dos traços e exageros podem levar a resultados muito interessantes em termos de storytelling. Veja estes exemplos do grande artista Stephen Silver:

Por fim, dois posts do blog Muddy Colors para continuar a discussão:

Prática e aprendizado

Existem inúmeras formas de aplicação destes conceitos no mundo da arte. Seja em ilustrações, concept art, fine arts ou animação, o desenho do rosto humano estará sempre presente.

Ao mesmo tempo, existem diversas formas de aprender e praticar. Vamos ver alguns exemplos de artistas do mercado de entretenimento que desenvolvem suas habilidades através de diferentes formatos.

Alex Negrea, por exemplo, utiliza muitas fotos como base para seus estudos, como podemos ver abaixo para os personagens do Game of Thrones.

 Arte de Alex Negrea

Arte de Alex Negrea

Esta é uma forma rápida e prática de aprender, pois temos acesso a uma infinidade de fotos de rostos pela internet, basta uma pesquisa no Google ou Pinterest para perceber que conseguimos todos os tipos de fisionomias, em todas as iluminações possíveis.

Modelo Vivo

Jana Schirmer, uma fantástica ilustradora, ganhou muita exposição também pelo seu trabalho de retratos de modelo vivo, uma prática que vem sendo desenvolvida através de toda a história da arte. Nestes vídeos abaixo podemos ver um pouco de seu trabalho neste tópico.

 Arte de Jana Schirmer

Arte de Jana Schirmer

Seja na pintura digital ou tradicional, desenho ou escultura, o uso de modelo vivo pode ser encontrado em diversos ateliers, escolas e estúdios ao redor do mundo. Primeiramente, vamos ver dois exemplos na cidade de São Paulo. Um deles é o ateliê de Maurício Takiguthi, onde a prática pictórica é aplicada neste contexto em sessões que acontecem algumas vezes por ano. Veja abaixo alguns trabalhos do artista utilizando modelo vivo:

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

 Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

No Plein Air Studio, existe um curso ministrado pelo artista Marcus Claudio. Durante o curso, são realizadas sessões com modelo vivo para aplicar os conceitos aprendidos.

 Sessão de retrato no Plein Air Studio, em São Paulo

Sessão de retrato no Plein Air Studio, em São Paulo

Estes são apensar dois exemplos dos muitos ateliês e escolas que oferecem esta prática no Brasil. Vale a pena procurar se existe alguma na sua cidade.

Muitos artistas tem o modelo vivo como parte intrínseca de seus processos, como é o caso de alguns destes exemplos abaixo, dentre muitos outros:

David Kassan

E você não precisa só de modelos profissionais para estas sessões, muitos amigos e familiares ficarão felizes em posar para seus desenhos e pinturas. Ficar parado em uma posição por um tempo razoável não é uma tarefa fácil, porém, diferente do modelo de corpo inteiro, as poses tendem a ser em sua maioria confortáveis.

Autorretrato

E onde podemos encontrar modelo mais disposto a nos ajudar do que nós mesmos? A prática do autorretrato também é muito recorrente na história da arte, em estudos do dia a dia e até obras da mais alta complexidade. Este vídeo abaixo mostra um pouco do processo utilizando um espelho:

Sejam grandes mestres, artistas contemporâneos realistas ou artistas do ramo de entretenimento, muitos dos grandes nomes já fizeram estudos de seus próprios rostos. Dentre os mestres temos casos fantásticos como Rembrandt e Sargent, como vocês podem ver nas imagens abaixo:

 Arte de Rembrandt

Arte de Rembrandt

 Arte de John Singer Sargent

Arte de John Singer Sargent

Neste post abaixo do blog Muddy Colors, podemos ver muitos outros exemplos de auto-retratos de artistas:

http://muddycolors.blogspot.com.br/2013/11/artist-of-month-self-portrait.html

Dentre os pintores realistas contemporâneos também existem grandes exemplos, como o de David Leffel, cujo trabalho você pode ver abaixo:

 Arte de David Leffel

Arte de David Leffel

E também do pintor Jonathan Hardesty, que documentou todo seu aprendizado na internet, então temos o privilégio de poder ver o seu primeiro autorretrato e um dos últimos:

 Arte de Jonathan Hardesty

Arte de Jonathan Hardesty

Johannes "Algenpfleger" Voss é um ilustrador do mercado de entretenimento que também ficou muito famoso dentre a comunidade de artistas por compartilhar grande parte de seus estudos no portal Conceptart.org. Dentre estes, ele fez uma série diária de autorretratos buscando melhorar sua leitura das proporções do rosto humano, mas também experimentar processos e formas de finalização. Veja alguns destes trabalhos:

 Arte de Johannes Voss

Arte de Johannes Voss

 Arte de Johannes Voss

Arte de Johannes Voss

A artista Betty Edwards também evidencia o uso do autorretrato como grande aliado do aprendizado. Em seu livro Desenhando com o Lado Direito do Cérebro, para o qual fiz um review que você pode conferir aqui ao lado, ela dedica um capítulo inteiro para o tópico de retratos além de ilustrar vários exemplos da evolução de seus alunos com comparações de retratos antes e depois do estudo. Segue uma imagem destes exemplos:

 Imagem retirada do livro Desenhando com o Lado Direito do Cérebro

Imagem retirada do livro Desenhando com o Lado Direito do Cérebro

Likeness

Atingir o likeness, ou seja, seu desenho ficar parecido com o modelo, requer bastante prática, entendimento da estrutura do rosto e do desenho e revisão constante das proporções. Não busque no começo atingir esta qualidade, pois os resultados podem ser um pouco frustrantes. Com o tempo, você ficará cada vez mais confortável com o processo e atingirá resultados cada vez melhores. Não importa o meio, retratos com likeness serão sempre uma tarefa difícil.

Referência

Mas o seu rosto não precisa também ser uma referência somente para likeness no autorretrato. Iain McCaig, por exemplo, cita em suas entrevistas que utiliza muito o espelho para entender como expressões funcionam, assim como para poses e ângulos que ele não conseguiria desenhar tão facilmente sem referências.

Referências e Materiais

A internet é uma fonte praticamente inesgotável de referências e inspiração. Seguem então alguns exemplos de sites onde você pode encontrar fotos para estudar, assim como trabalhos de outros artistas, do passado ou atuais:

Se você, como eu, gosta de ter também algo físico em mãos, existem livros muito bons de fotografia que podem gerar belos estudos e também inspirar suas criações. Um exemplo é este ao lado do fotógrafo Steve McCurry.

Cursos e Livros

DVDs

Assim como fonte de referências, a internet também virou uma grande fonte de contato direto com artistas e aquisição de conhecimentos de seus ídolos através de tutoriais e DVDs. Existem muitos, de todos os mais diversos estilos e qualidades. Vale a pena buscar se o seu artista preferido já disponibilizou algum. Seguem alguns exemplos interessantes que encontrei ao longo da minha jornada e também pesquisando para este post.

Estes exemplos ainda trabalham principalmente com cópias físicas dos DVDs, porém com o passar dos anos esta prática tem ficado cada vez mais escassa. Arquivos digitais em sites como Gumroad têm substituído e tornado ainda mais acessível este conteúdo. Segue um exemplo do tutorial de retrato na escultura do artista Frank Tzeng.

 Arte de Frank Tzeng

Arte de Frank Tzeng

Cursos Online

Alguns artistas também oferecem cursos online de Retrato. É o caso do grande artista Nathan Fowkes, que oferece um curso na parte online da escola LAAFA.

Também incluí em outras partes do vídeo o processo de Jeffrey Watts. Ele possui um conteúdo inteiro do estudo acadêmico de desenho online através do Watts Atelier. Como sempre falo, materiais não faltam, o que é necessária é a avaliação dos mesmos em quanto acrescentarão ao seu processo.

Cursos Presenciais

Citei uma série de cursos presenciais em meu post sobre o desenho da figura humana, que você pode conferir clicando aqui, e como muitos deles oferecem também cursos de retrato, não repetirei os mesmos aqui. Além disso, existem cursos específico como o do Plein Air Studio que citamos anteriormente no post. Vamos ler a descrição do curso que eles oferecem:

"O curso tem o objetivo de aprofundar conhecimentos sobre a estrutura e anatomia do desenho do rosto, englobando composição, luz e sombra, fluência e técnica no uso dos diversos materiais, de acordo com a escola clássica do retrato, tornando o aluno apto a realizar um retrato alla prima. Durante todo o curso, são feitos muitos exercícios utilizando carvão, lápis, pastel e óleo, cada um no seu suporte apropriado, visando desenvolver uma base sólida no desenho e pintura da figura humana. Além da presença constante da literatura de anatomia, periodicamente, também acontecem sessões de modelo vivo onde o participante tem a oportunidade de pôr em prática o conteúdo aprendido. Desde os primeiros contatos, é avaliada a necessidade de cada aluno, que é atendido individualmente, sempre buscando o melhor aproveitamento de seu nível técnico e artístico." - Plein Air Studio

Livros

Também postei muitos livros no outro post, porém existem alguns materiais específicos sobre o desenho do rosto humano que incluirei neste post.

Este acima é parte de uma série de eBooks do artista David Leffel, um dos maiores retratistas realistas da atualidade.

Existem também muitos livros impressos abordando diferentes tópicos e processos. Este ao lado, por exemplo, apresenta uma visão mais bidimensional, incluindo conceitos acadêmicos como linha vs valor, medição, chiaroscuro e até o uso de referências reais para a criação de rostos de imaginação e distorções.

Já os livros abaixo apresentam uma abordagem tridimensional, pensando em volumes posicionados no espaço, anatomia, luz e sombra, finalização e expressões faciais para as mais diversas emoções.

Como sempre, vale a pena pesquisar mais a respeito dos mesmos antes da aquisição.

Resumo

Em linhas gerais, aprendemos neste post que:

  • Assim como para o desenho em geral e desenho da figura humana, existem duas abordagens para o rosto humano, bidimensional e tridimensional.
  • Apesar disto, não existem muitos artistas utilizando somente uma abordagem, sendo cada trajetória elaborada individualmente e bebendo de ambas as fontes. Podemos chamar de uma abordagem híbrida.
  • A abordagem bidimensional é focada na leitura de shapes e seu posicionamento correto na imagem. Já a abordagem tridimensional é focada em formas tridimensionais, anatomia e luz e sombra.
  • Atingir o resultado de likeness exige bastante prática e revisão constante das proporções.
  • Experimente diferentes formas e processos, incluindo o estudo do seu próprio rosto e de outros modelos vivos.

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Muito obrigado por acompanhar e bons estudos!