Desenho da Figura Humana - Por onde começar de forma eficiente?

Seguindo a nossa conversa sobre desenho, desta vez vamos falar de um tema extremamente relevante, principalmente no campo da ilustração e fine arts, o desenho figurativo. Mas como abordá-lo de forma eficiente? Quais as suas vertentes e em que contexto se encaixam? Seguem alguns outros posts sobre o estudo do desenho:

Espero fazer uma análise ampla, porém sempre o mais importante é que ela abra espaço para as pesquisas individuais. Este é um tema que está longe de ser trivial e será digno de estudos de uma vida inteira se você buscar a excelência em sua prática.

Arte de Robert Liberace

Arte de Robert Liberace

Quero começar compartilhando esta fantástica obra de Robert Liberace acima e o vídeo abaixo como motivação para tudo que vamos discutir.

O desenho da figura, além de poderosa ferramenta de expressão, também é, na minha opinião, um veículo de introspecção e admiração do ser humano em todas as suas imperfeições e diferenças. Como discuti neste outro post, acredito que seu estudo seja importantíssimo para transformar a forma como nos vemos e como vemos a todos à nossa volta.

Esta conversa será dividida em três partes:

  • Abordagem bidimensional
  • Abordagem tridimensional
  • Prática e aprendizado

Existem duas abordagens que apesar de bem tradicionais e maduras diferem bastante em seu processo e aplicações. De uma lado temos a bidimensional que se baseia muito mais na leitura de shapes e valores do que na racionalização de volumes e seu posicionamento no espaço, como é o caso da tridimensional.

Tentarei apresentar cada uma delas, sem fazer julgamento de valor, afinal de contas acredito que cada uma possua seu valor e que possam ser combinadas para o processo específico de cada artista. Muitos dos conceitos aqui discutidos se aplicam também a pintura figurativa, porém nesta entra o fator das cores que complica ainda mais o estudo, deixaremos esta questão para outro dia.

Abordagem bidimensional

A abordagem bidimensional, muito aplicada principalmente em fine arts e ilustração, tem seu foco na leitura de shapes, em seus formatos, valores e cores e suas relações com outros shapes, as chamadas bordas.

Podemos ver nestes dois vídeos abaixo abordagens primariamente bidimensionais para o desenho da figura de corpo inteiro e para o retrato.

Deste primeiro vídeo, podemos tirar uma sequência para o desenho na abordagem bidimensional:

  • Block-in
  • Construção
  • Shapes das sombras
  • Articulação
  • Iluminação/Escala Tonal
  • Grandes volumes (demonstrando certa aproximação da abordagem tridimensional)
  • Variações nas áreas escuras
  • Renderização das áreas claras

Isto é, temos um primeiro processo de análise e tradução dos grandes shapes do desenho, depois partimos para a decomposição interna de claros e escuros e finalmente para uma avaliação e renderização de valores (utilizando ou não um ponto de vista tridimensional). Em sua essência, é um processo simples, porém a percepção pode levar anos para atingir a maturidade necessária.

Medição

Por ser um processo baseado no que estamos vendo, uma forte aliada do desenho é a medição. Seguem dois vídeos discutindo os métodos básicos de medição:

Não necessariamente estes métodos são sempre utilizados por artistas atuantes, sendo muitas vezes a medição efetuada somente em suas cabeças ou de forma mais orgânica como no desenho pictórico, que veremos mais a frente.

Block-in

O block-in se caracteriza pelo processo de marcação dos espaços a serem ocupados pela figura no desenho final. Podemos considerar que é o "envelope" em torno da figura. Este vídeo abaixo apresenta bem o conceito e mostra alguns exemplos:

Mas este é somente um dos métodos utilizados para determinar os limites externos do desenho no papel. Existem muitos outros e cada artista acaba encontrando uma forma que o agrada.

Um dos mais difundidos foi desenvolvido por Charles Bargue. Seu livro possui uma série de exercícios de desenho baseados principalmente em casts, esculturas de gesso. Este exemplo abaixo é um estudo feito pelo artista Noah Bradley de um dos exercícios deste método:

Muitas escolas e academias de belas artes, como a Angel Academy of Art, em Florença, adotam o método como estrutura fundamental do desenho e consequentemente da pintura. Seguem uma série de vídeos explicando o currículo da Angel Academy of Art e sua visão sobre o processo acadêmico:

Também é muito comum nesta abordagem utilizar método de medição Sight-sized, ou do mesmo tamanho do que é visto pelo artista.

Dorian Iten, outro grande artista e educador, apresenta de forma bem interessante os conceitos em seu curso Accuracy, pelo qual você paga o quanto quiser.

Arte de Dorian Iten

Arte de Dorian Iten

O desenho com base em casts é extremamente importante e presente no desenvolvimento de muitos artistas, principalmente daqueles que frequentaram ateliês. Outro ótimo exercício é estudar esculturas de grandes mestres do passado, se possível também ao vivo, analisando tanto seu amplo conhecimento de anatomia e formas, mas também seu senso de design, como cita Juliette Aristides no vídeo do começo do post.

Anatomia

O aprendizado de anatomia também aparece como ferramenta importante nesta abordagem. Apesar de o processo ser muito mais ancorado na percepção visual, conhecer as proporções do corpo, ossos que aparecem na superfície da figura e formato de músculos pode servir de grande auxílio durante a execução do desenho. Veja este exemplo abaixo de como o artista mesmo nos estágios iniciais do desenho utiliza a anatomia como sua aliada:

Robert Liberace, o artista que fez o primeiro desenho que vimos neste post, utiliza um processo bem híbrido, fortemente baseado na abordagem bidimensional, porém com algum pensamento de formas tridimensionais e um profundo conhecimento da anatomia, como vocês podem ver brevemente nestes vídeos abaixo e em sua série de DVDs, caso tenham interesse.

O conhecimento de anatomia também se demonstra importante no posicionamento correto de valores e mudanças na superfície do modelo.

Pictórico

O desenho pictórico, é uma vertente um pouco diferente da abordagem bidimensional por tentar depender menos das ferramentas de medição e anatomia e confiar mais na leitura de shapes e valores em um processo orgânico e aberto, isto é, sem buscar a definição extrema e posicionamento de elementos conhecidos e formas preconcebidas. A configuração de um rosto por exemplo, vem do posicionamento de shapes de valores certos nas posições certas, partindo de grandes massas e diminuindo as aferições até atingir os acentos finais.

A estrutura básica do desenho pictórico consiste no gestual pictórico, uma abordagem mais solta do que o block-in que vimos anteriormente, porém baseada em duas dimensões ainda, diferente do gestual tridimensional que veremos mais para frente neste post. Em sequência são colocados shapes de valores certos nas posições certas, partindo de grandes massas e diminuindo as aferições até atingir os acentos finais, sempre revisitando tanto a estrutura do desenho quanto a das massas de valor.

Grande entusiasta deste processo é o artista paulistano Maurício Takiguthi, com quem estudei durante pouco mais de um ano.

Arte de Maurício Takiguthi

Arte de Maurício Takiguthi

Em nível internacional temos artistas como Burton Silverman e Richard Schmid como representantes da abordagem pictórica. Grandes retratistas históricos, como Rembrandt, Sargent, Sorolla e Anders Zorn são exemplos do que se pode fazer com ferramentas como estas.

Arte de Burton Silverman

Arte de Burton Silverman

Você pode ler mais sobre a distinção entre linear e pictórico neste post do blog Rochedo de Prometeu ou no livro Conceitos Fundamentais da História da Arte, de Heinrich Wolfflin (link da Amazon aqui ao lado).

Tridimensional

A abordagem tridimensional adota um ponto de vista linear, racional e construtivo, dependendo muito menos da percepção e muito mais do conhecimento. Muito utilizada em animação exatamente por sua tridimensionalidade, esta abordagem tem cinco pilares fundamentais segundo Carlos Luzzi (você pode assistir a entrevista que fizemos com ele na íntegra abaixo). Estes são:

  • Gesture ou Gestual
  • Formas tridimensionais
  • Anatomia
  • Design
  • Luz e Sombra

Karl Gnass, neste vídeo super interessante, compara a abordagem bidimensional com a tridimensional. Claro que existe certo viés em sua resposta, sendo ele um animador e professor de desenho para animação, porém vale a pena conferir:

Arte de Karl Gnass

Arte de Karl Gnass

Este outro vídeo, agora do outro grande artistas e professor, Glenn Vilppu, vemos a abordagem tridimensional sendo colocada em prática do começo no gestual ao detalhamento de formas anatômicas.

Grandes artistas do passado como Andrew Loomis, George Bridgman e o mestre Michelangelo tinham processos que tendiam muito mais para o tridimensional, desenhando em torno de formas e volumes.

Nesta entrevista, o artista e professor Rey Bustos explora um pouco mais estes assuntos e a interface entre o que vemos e o que sabemos sobre o modelo.

Gesture ou Gestual

O gestual é o primeiro e último ponto que será estudado em sua trajetória pelo desenho figurativo tridimensional. É nele que está toda a vida e estrutura do desenho. Podemos dizer que seria um processo análogo ao block-in e ao gestual pictórico nos outros métodos. Seguem alguns vídeos que selecionei para ilustrar o conceito:

O importante neste momento é representar o movimento, qual é a história por trás de determinada pose, o que está para acontecer depois e/ou o que acabou de acontecer antes. Neste momento, distorções de proporção, assim como exageros, são possíveis e muitas vezes necessários para contar melhor a história. Com o tempo e prática, ficará mais claro o quanto de alterações são possíveis para seus fins específicos, cartoons certamente irão aceitar mais mudanças do que desenhos realistas. Seguem alguns sketches do mestre Vilppu para inspirá-los:

Arte de Glenn Vilppu

Arte de Glenn Vilppu

Uma vez determinado o gesto da pose, aí sim começaremos a pensar em volumes, direções, formas e proporções. Estes serão também muito ligados a anatomia, que vem na sequência.

Formas tridimensionais/Volumes

Pensar em formas tridimensionais, mover o lápis como se percorrendo um volume no espaço, imaginar geometrias simplificadas e perspectiva linear são alguns dos principais guias e ensinamentos neste tipo de desenho. Para poder mover a forma no espaço tridimensional, você tem que pensar em 3D. Segue um vídeo com o processo de Karl Gnass:

E não será somente nos grandes volumes, mas também na interação entre os mesmos, como podemos ver nestes exemplos de Glenn Vilppu em que a pele, gorduras e músculos reagem de formas diferentes em movimentos de contração e extensão:

Existem diversos métodos a serem utilizados nestas construções, sendo alguns mais formulados do que outros. Um dos mais famosos é o Reilly Method, que utiliza uma série de relações para a construção da figura. Neste exemplo ao lado, podemos ver um desenho da estrutura Reilly para a cabeça humana.

Entender os volumes e planos será a base estrutural da iluminação. Sem sabê-los é muito difícil compreender e replicar como a luz se comportará ao atingir as superfícies da figura.

Anatomia

Nesta abordagem, a anatomia será muito importante, senão essencial, principalmente no desenho realista. Entender como nossos músculos se movimentam, como são acionados, como reagem a diferentes posturas, como manter a pose equilibrada, são questões constantemente colocadas em xeque no desenho figurativo e ainda mais na escultura figurativa, caso alguém se interesse por seguir este caminho. De forma um pouco simplista, podemos dividir este estudo em: Proporção, Ossos, Juntas, Músculos, Acúmulo de Gordura e Equilíbrio.

Proporção

Primeiramente, temos que entender as proporções da figura humana média, mantendo assim seus desenhos livres de grandes distorções, quando as mesmas não forem intencionais. Claro que cada ser humano apresentará uma série de característica únicas, porém é interessante compreender em linhas gerais quais as relações de proporções masculinas e femininas.

Outro grande aliado do desenho da figura humana são as landmarks, isto é, marcos/pontos a serem encontrados na figura que auxiliarão tanto nas proporções quanto no posterior posicionamento de ossos, músculos e gordura. Estes são usados também no desenho bidimensional, como já vimos no processo de Robert Liberace e no de Dan Thompson, por exemplo. Este vídeo abaixo apresenta bem esta questão:

Termos

Quando partimos para os ossos e músculos, é inevitável que alguns nomes teremos que aprender. Claro que não precisamos saber todos, mas precisamos entender onde ficam e como se comportam se quisermos desenvolver um trabalho crível. Para ajudar na terminologia, segue um vídeo muito bacana feito pelo Proko introduzindo questões como anterior vs posterior, distal vs proximal, etc. Vale lembrar que estes termos são em inglês, podendo sofrer alterações em português.

Ossos, juntas, músculos e gordura

A melhor forma de realmente aprender os músculos do corpo é entender sua função e a relação com os ossos durante os movimentos. Este é um assunto super amplo e que deve ser estudado com muita dedicação. Serão anos até que você comece a ter um melhor entendimento da "máquina humana". Seguem alguns vídeos exemplificando a complexidade da anatomia humana.

Uma ferramenta para este estudo é a prática de Ecorché, isto é, visualizar e construir as estruturas ósseas e musculares de uma figura. Segue um exemplo de uma escultura feita por Rafael Grassetti.

Arte de Rafael Grassetti

Arte de Rafael Grassetti

Arte de Rafael Grassetti

Arte de Rafael Grassetti

Equilíbrio

Além de conhecer e posicionar tudo isso que vimos anteriormente, vale lembrar que o corpo humano é uma estrutura com massa e que consequentemente respeita a lei da gravidade. É importante mostrar uma pose equilibrada, seja em posição estática ou dinâmica (prestes a entrar ou durante um movimento).

É perceptível que este método, por seu caráter construtivo, possibilita uma maior flexibilidade ao artista ao posicionar e movimentar uma figura. Desta forma, o mesmo se torna indispensável em aplicações como animação e modelagem/escultura.

Prática e aprendizado

Não existe caminho certo ou um método melhor que o outro. Cada artista possui suas necessidades assim como vai encontrar aquilo que mais se encaixa em seu processo. O importante é conhecer tanto um quanto outro, suas vantagens e desvantagens para cada área de atuação e o praticá-las a ponto de saber o que é melhor para você. Muitos artistas acabam adotando métodos híbridos.

O que é inegável é a importância do estudo da figura humana, presente em todos os campos de atuação artísticos, principalmente em entretenimento, ilustração e fine arts. Segue um vídeo de Jeff Miracola discutindo a influência do desenho da figura em sua evolução:

O artista brasileiro Mike Azevedo, sobre quem já falamos neste post, também deu muita ênfase para o desenho figurativo e estudo de modelos através de sua trajetória. É visível em seu blog que desde seu começo ele estudou muito o desenho de observação e aos poucos fez a transição para o desenho de imaginação, porém nunca abandonando o estudo da figura. Nestes exemplos abaixo do final de 2011 e começo de 2012 podemos ver alguns dos estudos que ele já fazia na época:

Arte de Mike Azevedo

Arte de Mike Azevedo

Arte de Mike Azevedo

Arte de Mike Azevedo

Modelo Vivo

Um dos melhores exercícios para o aprendizado da figura é através de sessões de modelo vivo. Como já conversamos na série de posts sobre a importância do Life Drawing, é essencial o estudo a partir do tridimensional e vivo para melhorarmos nossa capacidade de análise, abstração, compreensão e tradução em duas dimensões.

Existem diversos locais nas grandes cidades que oferecem sessões, como centros culturais, escolas e ateliês de arte e universidades. Em São Paulo, por exemplo, existem sessões em unidades do SESC, Centro Cultural Vergueiro, Quanta Academia de Artes, ICS, Plein Air Studio, Ateliê Contraponto e Ateliê Maurício Takiguthi, só dos que eu conheço. Em Curitiba, onde moro atualmente, existem sessões regulares no grupo Mímesis e na escola Pigmento, além de sessões esporádicas em universidades e centros de belas artes.

Modelo vivo no Ateliê Maurício Takiguthi

Modelo vivo no Ateliê Maurício Takiguthi

Normalmente, as sessões são com modelos nus, para facilitar o entendimento da figura sem distrações e alterações, porém sessões com modelos vestidos e caracterizados são também muito interessantes e suprem outros fins, como a criação, storytelling e simplificação.

Modelo vivo no The Drawing Club

Modelo vivo no The Drawing Club

Seguem alguns exemplos em vídeo do artista Jeff Miracola estudando a figura caracterizada:

Referências e Materiais

Hoje em dia com o acesso a internet não podemos reclamar da falta de referências. Existem inúmeros sites de fotos de modelos nas mais diversas poses, nuas ou caracterizadas. É possível encontrar também vídeos (e canais do youtube) como estes abaixo, onde as sessões estão prontas para estudo, com tempos de poses predeterminados e algumas vezes até com gravações em tempo real, ao invés de somente uma foto com tempo.

Nada substitui o contato com o modelo tridimensional, porém podemos avançar muito através destas ferramentas.

Seguem também alguns links de sites com ferramentas parecidas:

http://www.quickposes.com/gestures/timed

http://artists.pixelovely.com/practice-tools/figure-drawing/

http://senshistock.com/sketch/#

Cursos e Livros

Para fechar, vou sugerir alguns cursos e livros interessantes sobre o assunto. Vale lembrar que não folheei todos os livros e muito menos fiz os cursos, sendo assim, sugiro uma pesquisa mais profunda antes da compra. Estas são referências que ouvi muito falar ou que encontrei através do desenvolvimento do post.

Abordagem Bidimensional

Sobre a abordagem bidimensional, eu particularmente conheço poucas referências bibliográficas. Se alguém tiver mais sugestões do que os livros abaixo, por favor, adicione nos comentários. Seguem alguns deles, incluindo o método de Charles Bargue que discutimos no post.

Por ser uma abordagem bastante ligada às fine arts, existem muitos ateliês que preservam esta prática ao redor do mundo, seja do ponto de vista acadêmico ou pictórico. Alguns exemplos que conheço do ponto de vista acadêmico incluem a Florence Academy of Arts e a Angel Academy of Arts em Florença, na Itália.

The Florence Academy of Art, na Itália

The Florence Academy of Art, na Itália

Angel Academy of Art, na Itália

Angel Academy of Art, na Itália

Do ponto de vista pictórico, não poderia deixar de recomendar o Ateliê Maurício Takiguthi, em São Paulo.

Ateliê Maurício Takiguthi, em São Paulo

Ateliê Maurício Takiguthi, em São Paulo

Abordagem Tridimensional

A abordagem tridimensional, por outro lado, apresenta vasta gama de publicações. Vamos começar por um vídeo bem bacana da artista brasileira Alice Mattosinho, onde ela apresenta alguns de seus livros favoritos sobre o tema da figura humana.

Concordo bastante com ela, principalmente com relação ao livro do Michael Hampton. Este parece estar esgotado na Amazon.com.br, mas você ainda consegue na americana. Seguem os links:

Figure Drawing: Design and Invention
$35.00
By Michael Hampton

E abaixo a lista dos títulos que conheço sobre o assunto. Primeiramente livros mais generalistas, abordando diversos aspectos da figura:

Estes abaixo são mais voltados para o desenho gestual:

E por fim livros específicos de anatomia:

No campo dos cursos também vemos uma grande proliferação de escolas, sites e ateliês voltados para o estudo desta abordagem. Um dos melhores em termos de custo-benefício para mim é o portal New Masters Academy, que conta atualmente com nomes gigantes como Glenn Vilppu, Karl Gnass, Rey Bustos e Steve Huston em seu quadro de instrutores.

A escola online CGMA contava com um curso específico do mestre Michael Hampton, como você pode ver nos vídeos abaixos:

Apesar dele não fazer mais parte do quadro de professores da escola, o curso de Analytical Figure Drawing segue sendo oferecido com professores tão bons quanto, incluindo (até a publicação deste post) Rey Bustos e Ron Lemen. Segue um vídeo exemplo de feedback do instrutor Christian Nacorda:

Outra opção online é Watts Atelier of the Arts, que apesar de ter o formato de ateliê, foca bastante em métodos tridimensionais como o Reilly Method. A escola de Jeffrey Watts também possui uma unidade física nos Estados Unidos.

Watts Atelier of the Arts, nos Estados Unidos

Watts Atelier of the Arts, nos Estados Unidos

O canal do artista no Youtube conta com uma série de vídeos muito interessantes como estes dois abaixo:

Achei interessante comentar que este é um bom exemplo do ensino híbrido, pois apesar dos métodos de ensino parecerem seguir uma linha mais tridimensional as principais influências de Jeffrey Watts e consequentemente da escola são artistas como Schmid, Sargent e Sorolla, artistas com abordagem fundamentalmente bidimensional.

Um dos melhores cursos de anatomia que já vi foi o do artista Scott Eaton. Em sua escola em Londres e online, ele oferece três cursos, Anatomia, Escultura Digital e Anatomia Facial. A criticidade e profundidade com que ele fala do corpo humano em movimento e de todas as estruturas envolvidas é fascinante. Vale a pena conferir o vídeo abaixo com uma idéia de quem é o artista e o que ele valoriza.

Localizada no coração do entretenimento no mundo, a LAAFA, Los Angeles Academy of Figurativa Arts, é uma boa opção para quem procura tanto cursos de longa e curta duração, presencial e online. Contando com alguns dos maiores nomes do mercado no quadro de instrutores, como Bill Perkins, Ron Lemen e Rey Bustos.

Los Angeles Academy of Figurative Art, nos Estados Unidos

Los Angeles Academy of Figurative Art, nos Estados Unidos

No Brasil, também temos algumas opções de cursos bem interessantes. Um deles é o curso Life Drawing, do mestre Carlos Luzzi, na ICS - Innovation Creative Space. Você pode conferir um vídeo teaser do curso aqui embaixo:

A escola Axis também oferecer um curso específico de Anatomia, com o artista Alexandre Jubran. Jubran também é autor desta série de livros sobre anatomia abaixo, totalmente em português:

Além disso, existem uma série de outros cursos tanto de desenho quanto de escultura que incluem a anatomia e a figura em suas grades. Em São Paulo, por exemplo, além destas escolas citadas, existem escolas como a Melies e a Quanta Academia de Artes e ateliês como o do mestre Cícero D'Avila e o Plein Air Studio.

Como sempre falo, vai de cada artista procurar o curso e professor que mais se encaixam às suas necessidades, sempre avaliando tanto o conteúdo a ser abordado quanto a experiência do instrutor.

Resumo

Em linhas gerais, aprendemos neste post que:

  • Assim como para o desenho em geral, existem duas abordagens para a arte figurativa, bidimensional e tridimensional.
  • Apesar disto, não existem muitos artistas utilizando somente uma abordagem, sendo cada trajetória elaborada individualmente e bebendo de ambas as fontes. Podemos chamar de uma abordagem híbrida.
  • A abordagem tridimensional é composta por gestual, formas tridimensionais, anatomia, design e luz e sombra.
  • Este é só o começo, o estudo da figura humana é para a vida inteira se quiser ser masterizado.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe com os amigos através do botão de Share logo abaixo do post! Se inscreva também na lista de e-mails e na página do Facebook para ficar por dentro de todas as novidades!

Muito obrigado por acompanhar e bons estudos!