Brushwork Atelier - Visualizando os próximos passos

Já faz 6 meses que decidi montar um blog/portal para compartilhar um pouco de tudo que aprendi nestes últimos 5 anos de busca de conhecimento no meio artístico e de entretenimento. Surgiu então o Brushwork Atelier, com uns poucos posts escritos até aquele momento. 

O resultado não poderia ser mais surpreendente. Encontrei uma comunidade que ao mesmo tempo em que acolheu tremendamente o projeto e se mostrou carente por este tipo de informação, também me recebeu com criticidade, seriedade e empenho nos estudos, sempre querendo mais.

Já agradeci bastante no facebook, mas não custa nada agradecer novamente. Muito obrigado por todo o apoio que me deram, seja pelos acessos (quase 60 mil), comentários, críticas, sugestões, dúvidas, likes (mais de 4 mil) e shares na página do Facebook, views (quase 3 mil no total), likes e comentários no canal do Youtube e/ou por todo o carinho com que muitos receberam o projeto. É difícil crescer, ainda mais dependendo das redes sociais para tal, por isso que agradeço muito a todos que ajudaram o projeto a acontecer.

Mas e agora? Para onde vamos? Quais são os planos? Como podemos analisar de forma crítica o que aconteceu para poder planejar os próximos passos?

Esta imagem abaixo, de Albert Bierstadt, resume bem o que sinto neste momento, nesta virada de ano, neste próximo passo. Sinto a brisa suave no rosto, o cheiro do desconhecido, o medo do inesperado e o senso de urgência de fazer acontecer. Existe muito ainda a ser dito, muito a ser criticado e questionado, muito a ser aprendido e muito a ser descoberto.

 Arte de Albert Bierstadt

Arte de Albert Bierstadt

Muito do que o projeto tem se tornado, foi inspirado pelo que Scott Robertson diz em sua entrevista sobre o desenvolvimento do olhar crítico, para a qual fiz dois posts:

Como o grande professor e artista que é, Scott tem bastante propriedade para falar sobre estruturas curriculares e aprendizado artístico bem sucedidos. Para ele, o processo pode ser resumido a quatro macro elementos estruturantes, que interpretei da seguinte forma:

  • Conteúdo de qualidade
  • Prática constante em grupos de pessoas com formações, objetivos e determinação semelhantes
  • Acompanhamento, feedback e direcionamento de profissionais atuantes no mercado
  • Senso de urgência e responsabilidade

Para aqueles que não viram a entrevista, vale conferir e ler as análises que fiz, elas complementam muito a ideia. Além disso, tenho procurado muitas outras fontes, incluindo outras escolas, artistas de sucesso e também experiências de insucessos para montar uma estrutura que possa auxiliar o estudante de arte em sua jornada. Vejo hoje o Brushwork Atelier como sendo formado por três pilares, que é onde procurarei, dentro das minhas capacidades, ajudar a comunidade artística. Estes são:

  • Conteúdo
  • Comunidade
  • Feedback

Nestes pilares tento encaixar um pouco da fala de Scott fora do contexto da educação formal, assim como todo este outro aprendizado que tenho acumulado.

Estes são, em sua essência, os três campos em que quero tentar ajudar a comunidade a evoluir e consequentemente a cada um dos leitores a se tornarem artistas melhores. Não posso fazer o trabalho por ninguém, as horas de estudo terão que ser de cada um de vocês, porém posso ajudar com ferramentas que cubram os demais aspectos. Vamos analisar na sequência cada um dos pilares e como vejo eles inseridos no Brushwork Atelier daqui para frente.

Conteúdo

O primeiro deles é o eixo central do projeto, que é o que venho fazendo até o momento, os posts, comentários, os vídeos, o Conteúdo.

Foram mais de 30 posts até agora, falando de tópicos diversos da técnica, aprendizado, mercado e da filosofia e desafios de ser artista. Para manter uma mínima organização e linha de raciocínio no blog, categorizei estas postagens em tópicos/categorias e criei áreas específicas para suprir necessidades que vejo como cotidianas do artistas, como se organizar, como estudar, o que aprender, onde buscar inspiração, com quem conversar, etc. Estas áreas, acessadas por botões na lateral do blog, são as seguintes:

  • Para se organizar...
  • Para aprender...
  • Para se inspirar...
  • Livros

O conteúdo tem variado muito ao longos dos meses, porém tentando seguir essa linha macro que coloquei. No início, comecei a discutir principalmente questões ligadas a organização do estudo, querendo encontrar respostas para dúvidas como:

  • O que devo estudar? Como me torno um concept artist? E um ilustrador?
  • Como devo estudar? Em que ordem?
  • Quanto tempo devo estudar? E quanto tempo vai levar para chegar onde eu quero?

Estas são dúvidas importantíssimas, pois hoje com a quantidade de informação que temos a nossa disposição muitas vezes ficamos perdidos e imobilizados pela falta de direção, de organização e de estrutura, cobrindo mais o quesito "para se organizar". Para tal, fiz uma série de posts ouvindo grandes educadores e analisando grades curriculares de cursos conceituados, seguem alguns dos posts:

No decorrer dos meses, percebi que precisava falar de um tema mais específico para construir meu público, mesmo porque percebi que o mesmo não estava em sua maioria preparado para discutir a estrutura sem primeiro ter contato com alguns elementos básicos estruturantes. 

Fiz então a decisão de pausar esta sequência e entrar numa discussão sobre os fundamentos do desenho. Estes posts ainda seguem e devemos entrar numa nova fase já a partir de janeiro, seguem os tópicos que discutimos até agora:

Seguindo em frente, vou continuar entrelaçando as duas frentes, que compõem basicamente os tópicos de "para se organizar" e "para aprender", sempre trazendo momentos mais reflexivos e palavras das melhores mentes do mercado para complementar no quesito "para se inspirar". Para este último, tivemos uma série de posts sobre eventos e artistas, seguem alguns exemplos:

Em paralelo, o canal do Youtube que começou a todo vapor com estas duas entrevistas muito bacanas com o animador e ilustrador Carlos Luzzi e com os artistas Hugo Richard, Lucas Parolin e Ivan Frare:

Em 2016, o canal irá continuar sua busca por complementar o conteúdo em texto e gerar um diálogo com os leitores sobre os assuntos. Mas ainda não estou satisfeito, este é um ponto no qual experimentarei bastante e buscarei formas ainda mais legais de conversarmos, buscando sempre melhorar o conteúdo, a clareza e profundidade dos textos, mas também o entendimento, absorção e aplicação dos conceitos por parte dos leitores.

Saber o que existe no mundo, a quantidade de informação que precisamos absorver para nos tornarmos artistas mais competentes e o empenho que é necessário para chegar a algum lugar, nos gera também o dito senso de urgência. Nas palavras de Mike Azevedo em sua entrevista ao Brushwork (que você pode ler clicando aqui), é a "pressão do mundo", a noção de que existe muita gente boa no mundo e que nossa indústria é muito sincera com relação a qualidade de trabalho.

Este tema conversa muito com o que considero o segundo pilar do Brushwork Atelier, Comunidade, ainda em formatação.

Comunidade

A comunidade de artistas e estudantes de arte brasileiros me recebeu de forma indescritível. Foram inúmeras mensagens fazendo todos os tipos de comentários, elogios, críticas e agradecimentos. Apesar disso, ainda me acho muito distante de todos. Discutimos muito pouco os textos nos comentários e por isso o conteúdo tem ficado unilateral, perdendo a riqueza de conhecimento que vocês todos possuem. Isso ficou claro em algumas lives onde o chat transbordou de trocas de conhecimento e pessoas se ajudando.

Como disse no post sobre o Creative Juice Expo, temos uma comunidade muito forte e unida. Todos sabem o quanto é difícil ser artista, seja pelos desafios da prática e evolução, como de ego, autoestima e, além de tudo, atritos com a nossa forma de viver na sociedade moderna. No Brasil, onde não existe um mercado de entretenimento consolidado, isso fica ainda mais difícil. É por essas e outras que temos que nos unir ainda mais, levar esta "luta" com seriedade e determinação para construir o que ainda não temos e melhorar o que vemos que é falho.

Não concordo muito com a fórmula tradicional de comunidades através do Facebook, então não será esse caminho que tomarei em 2016, pelo menos não no mesmo formato, mas tenho planejado formas de nos aproximarmos mais, principalmente aqueles que estão dispostos a aprender e contribuir com o projeto. Que levam com seriedade seu crescimento e o dos outros artistas e que buscam um lugar onde podem conversar com pessoas parecidas e determinadas.

Acredito que estudar junto com outras pessoas também aguça o senso de urgência, pois você terá que trazer algo novo sempre, pois todos estarão fazendo o mesmo. Vejo essa dinâmica como bem importante e presente na trajetória de artistas bem sucedidos, seja em sala de aula onde a cobrança é por parte dos professores e colegas ou pelo auto didata que participou de comunidades online, como é o caso do Mike Azevedo (que você pode ler clicando aqui) que se sentia mal de postar poucos estudos novos em alguma semana.

Uma coisa é certa, seguirei sempre tentando levantar e unir ainda mais nossa comunidade, seja pela discussão ou simplesmente trazendo exemplos fantásticos de artistas que estão entre nós, para mostrar que de cada um de vocês pode sair o próximo grande nome. Também seguirei apoiando iniciativas como Creative Juice Expo, THU e outros que venham a acontecer, espero também ter um envolvimento mais próximo com todos estes eventos.

Feedback

Por fim, completando a análise de Scott Robertson e os pilares do projeto, falta o feedback de qualidade. Esta, como ele diz, é uma questão sensível. É difícil termos contato direto com profissionais atuantes no mercado e mais ainda que estes tenham tempo para criticarem nosso trabalho.

Como eu disse anteriormente, a nossa comunidade é muito unida e mesmo os artistas mais conceituados abrirão um tempo em suas agendas para responder dúvidas. Todos já estiveram onde vocês estão e tiveram muitas dúvidas de como seguir. Desta forma, muitas vezes o necessário é simplesmente perguntar, de forma educada e respeitosa, principalmente sabendo que pode haver demora na resposta ou até mesmo esta pergunta passar despercebida na rotina dos mesmos.

Por outro lado, acho também que falta muita criticidade em nossas perguntas. Recentemente, com as lives que tenho promovido e as que tenho assistido de outras fontes, como THUTV e ICS AO VIVO, percebo que muitas vezes falta senso crítico, pesquisa e contemplação ao formular as perguntas. O que você precisa realmente saber daquele artista? O que irá ajudar a comunidade? Como sua pergunta pode ajudar a extrair a essência de quem é aquele artista? E não simplesmente qual é o material e ferramenta que ele usa, pergunta clássica de todo evento.

Acho que cabe também na categoria de feedback também não só dizer o que está errado com a luz, perspectiva ou cores do seu portfólio, mas sim também como você enxerga a sua evolução artística como um todo.

Neste quesito, continuarei sempre criando e trazendo conteúdo que gere questionamento, que pegue nas feridas, que critique, assim como quero que questionem o trabalho que estou fazendo. Enquanto não nos sentirmos um time, querendo o crescimento do outro tanto quanto o nosso, a coisa não irá para frente na minha opinião. Temos que pensar em gerar valor para toda a comunidade e não só para onde irá nosso trabalho.

Se nem Scott Robertson tem uma solução para esta questão, quem seria eu para dizer que tenho. Certamente, no entanto, continuarei estudando possibilidades para intensificar este questionamento pessoal, assim como trazer também feedbacks sobre pontos técnicos dos trabalhos da comunidade.

2016

Em 2016, tentarei manter esta chama acesa. intensificarei minha produção de conteúdo e de estudos, visando entender ainda mais os problemas de cada um dos leitores. Tenho trabalhado com isso aos poucos e agradeço muito aos que responderam a pesquisa que fiz sobre as dificuldades e sonhos de cada um, assim como aqueles que questiono pessoalmente sobre estes pontos ou que espontaneamente dividem comigo seus desafios. Muito disso tudo é usado para gerar um conteúdo cada vez mais assertivo.

Mais conteúdo também requer mais esforço, horas extensas e dedicação. Em 2016, buscarei formas de recompensar também algumas destas horas que acredito gerarem, mesmo que de forma indireta, ganhos e/ou economias de tempo e dinheiro para os leitores. Em um contexto tão nichado, mesmo que venha a crescer expressivamente o número de acessos, fica muito difícil gerar retorno com publicidade.

O blog e vídeos de entrevistas continuarão sempre de graça, para permitir acesso a todos. Mas aqueles que sentirem que o projeto tem acrescentado bastante valor para vocês e tiverem interesse em ajudar, coloquei botões de doações (PagSeguro e PayPal) como estes aqui em cima na barra lateral do site.

Além disso, o Brushwork Atelier se tornará uma empresa no começo de 2016, lançando produtos para aqueles que querem se aprofundar mais nos temas abordados, conhecer pessoas semelhantes e estudar em grupo. Assim que puder, compartilharei mais informações. 

Fiquem a vontade para fazer sugestões, críticas e dúvidas pelos comentários, seria fantástico debater um pouco com vocês esta questão.

Boas festas

Este post foi um mix de desabafo, troca de idéias, agradecimento e motivação, é assim que vejo minha virada para 2016. Em 2015, e especialmente através do blog, portas fantásticas se abriram para mim, permitindo que eu aprendesse muito sobre quem sou, o que busco e o que já alcancei. Ao mesmo tempo, 2015 deixou uma série de novos desafios, dúvidas e oportunidades. Espero que eu tenha transparecido neste texto o quanto tenho a agradecer a todos vocês por fazerem isto tudo acontecer. 

Abaixo um estudo meu do ano passado com o tema de Natal, para não passarmos em branco.

 Arte de Luiz Celestino

Arte de Luiz Celestino

Desejo a todos ótimas festas e um início de ano motivador! Deixo vocês com as inspiradoras palavras de Neil Gaiman, "make good art"!

Muito obrigado mais uma vez por acompanharem!