10 coisas... - Uma das melhores séries de posts da internet

10 coisas... - Uma das melhores séries de posts da internet

Hoje é um post "rápido" para compartilhar com vocês uma das melhores séries sobre arte e ilustração da internet, na minha opinião. E digo "rápido" porque não vai ter muito texto meu e sim muitos links. Para absorver este conteúdo vai levar bastante tempo, mas tenho certeza que você vai aprender muito também.

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O meu ponto de vista sobre ser artista no Brasil

O meu ponto de vista sobre ser artista no Brasil

Hoje comecei meu dia com uma lembrança do quanto a sociedade, principalmente brasileira ainda tem que evoluir com relação ao fazer artístico. Depois de me meter a palpitar "naqueles grupos de família" que discutem comunismo e capitalismo como especialistas graduados, recebi uma mensagem mal educada de um parente que sempre respeitei como pessoa. Não vou me estender no assunto, para não virar "casos de família", senão teria que chamar a Márcia Goldschmidt.

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Motivação - Como se sentir mais motivado para estudar?

Motivação - Como se sentir mais motivado para estudar?

Quem nunca se sentiu frustrado ou desmotivado para começar a estudar? Este é um sentimento que assombra todo o tipo de atividade e acredito que principalmente as áreas criativas. Neste post, vou tentar desconstruir a motivação e, utilizando algumas ótimas referências, trazer sugestões de como podemos contornar as adversidades e sermos mais produtivos.

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THUTV - Foi muito mais do que eu podia imaginar...

THUTV - Foi muito mais do que eu podia imaginar...

Em setembro do ano passado, escrevi um post tentando motivar os leitores do Brushwork Atelier a comprarem o THUTV, transmissão ao vivo e também sob demanda do evento Trojan Horse was a Unicorn, que acontece em Tróia, Portugal. Eu na verdade só tinha ouvido todo o barulho em torno do evento, principalmente dos brasileiro que tinham ido, como Pedro Conti, Victor Hugo e outros, mas nunca tinha vivenciado nada do evento.

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Trocando de Carreira - Quando é a hora de se demitir e buscar seus sonhos?

Trocando de Carreira - Quando é a hora de se demitir e buscar seus sonhos?

Já se perguntou como seria largar tudo e viver de arte? Se sente tentado a buscar uma carreira mais criativa, mas não sabe para onde ir? Ou simplesmente não aguenta mais acordar segunda-feira para fazer a mesma coisa de novo e de novo? Então talvez este texto seja para você.

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Não é só um "desenhinho"...

Não é só um "desenhinho"...

Neste clima de Ano Novo, vida nova, resoluções para 2016, quero tirar da gaveta este post que venho digerindo há muitos meses. Nele quero discutir uma frustração que muitos artistas passam em todos os momentos de suas carreiras, a desvalorização, e até infantilização, daquilo que estão fazendo. É o famoso: "Sabia que meu sobrinho desenha também? Assim como você". Imagino que você, assim como eu, esteja sentindo aquele frio na espinha de ódio só de ler isso. E todas as minhas horas de estudo, meu sangue, suor e lágrimas? Seu sobrinho também passou por isso?

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Iain McCaig e o sonhar sobre o papel

Hoje foi um daqueles dias felizes para os artistas de ilustração e concept art. O artista Bobby Chiu, criador da escola Schoolism e do estúdio Imaginism, publicou em seu canal do Youtube uma entrevista com o lendário ilustrador Iain McCaig.

O artista, que já trabalhou em grandes projetos como Star Wars Episódio I, John Carter e Harry Potter, falou sobre sua história, seu processo, sua visão sobre a arte e o desenho e por último anunciou que fará um curso para a Schoolism, que provavelmente será lançado em 2016. Separei alguns pedaços, incluindo quotes muito interessantes, para discutirmos, mas estou linkando aqui o vídeo original, em inglês: 

A conversa começou com o belíssimo livro da arte de Iain McCaig, Shadowline, que ele diz ter sido "uma forma de mostrar um pouco do interior de sua cabeça". Isto é, ele contou de sua forma descontraída, através de lindas ilustrações e humor, um pouco de seu processo, sua relação com prazos (deadlines) e projetos nos quais trabalhou, sempre com inúmeros exemplos de ilustrações, sketchs e storyboards. Ele realmente adora contar história e isso transparece neste livro. Segue o link para aqueles que tiverem interesse, vale muito a pena (eu tenho um):

No final do livro, ele inclui alguns "mini cursos" onde passa um pouco do seu pensamento sobre o desenho para uma série de exercícios sobre temas diversos, incluindo equilíbrio, anatomia, criação e o conceito que ele sempre comenta sobre o "sonhar sobre o papel".

Este é um conceito para o qual ele fez um quote interessante na entrevista, incluindo sua relação com o ensino do desenho:

"Todas as noites, quando as pessoas vão dormir, elas sonham seres humanos perfeitos, magistralmente iluminados e animados e elas nunca pensam sobre isso, nunca tentaram criá-los. Eu acredito que ensinar alguém a desenhar é fazer com que eles sonhem enquanto estão acordados. E depois sair de seus caminhos para não estragar."

Este é um ponto interessante que muitos autores discutem sobre o processo de desenhar e seu aprendizado. Seria bom um post inteiro para discuti-lo e juntar as referências, mas o que me intriga é essa janela para o processo criativo dele. Muitos autores, incluindo principalmente Heinrich Wolfflin em seu Conceitos Fundamentais da História da Arte, traçam as diferenças claras sobre o desenho linear, estruturado, racional e o desenho pictórico, perceptivo. 

Apesar de provavelmente Iain ter aprendido os fundamentos da arte linear, estrutura, anatomia (ele cita mais pra frente na entrevista ter estudado os livros de Andrew Loomis, principalmente o Figure Drawing for all it´s worth), por muito tempo ele aprendeu a copiar desenhos de cartilhas e imagens de dinossauros, como ele fala. É possível que depois ele tenha começado a imaginar o que iria desenhar, desenvolvendo cada vez mais esta habilidade ao longo dos anos e ficando cada vez melhor em "copiar" o que ele desenvolvia em sua cabeça. Seria isso talvez o seu "dreaming on paper", sonhando sobre o papel? Já discuti a respeito disso sobre o processo do Kim Jung Gi com alguns amigos.

Não tenho respostas para esta questão, mas acho legal a discussão, do quanto as regras e estruturas servem no processo criativo mais como ferramentas de correção do que imaginação. Comentem depois o que vocês acham. Mas por enquanto, voltamos ao vídeo... 

A conversa continua no sentido da educação e Bobby Chiu cita o quanto acha interessante quando uma pessoa entende algo complexo, entende mesmo e não somente copia algo dito por outra pessoa, e o destila em teorias e explicações simples. Para o qual Iain complementa com outra grande quote:

"E melhor ainda quando você transforma isso em um jogo. Porque você lembra quando estava aprendendo a andar, aprendendo a falar e tudo mais, era tudo através de brincadeira. E você se levantava e tentava de novo porque era divertido. Se pudêssemos transformar as pessoas em crianças que não se preocupassem se está bom, mas se é divertido."
"É principalmente o medo de falhar, o medo de cair e parecer estúpido, mas as crianças não se preocupam com isso."

Este ponto tem um pouco de ligação com o que discuti anteriormente. Acredito que hoje em dia ficamos tão focados em fazer algo parecer certo que fugimos do motivo inicial que nos trouxe para esta área que são as experiências visuais e criativas.

Claro que queremos ter bons resultados, mas estes não podem estar na frente do processo e da diversão durante o processo. A prática Zen Budista, muito discutida no ateliê do Maurício Takiguthi, toca muito neste assunto, principalmente quanto a valorização do processo e atacar problemas com o olhar do principiante. Dois livros indicados pelo Maurício neste assunto são A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen e Mente Zen: Mente de Principiante. Ainda farei mais posts sobre estes temas.

Acho que temos que sempre olhar para trás e nos questionarmos por que estamos fazendo o que fazemos. Voltando ao vídeo...

Ele conta então sua história de vida, incluindo o fato de ter ficado no Canadá para terminar seus estudos dos 14 aos 18 enquanto seus pais se mudaram para os EUA. Ele diz que foi um momento muito introspectivo, onde aprendeu que tudo era possível. Aí veio mais uma daquelas:

"Mais tarde vim a entender que existe um preço atrelado a tudo e você tem que estar disposto a pagá-lo"
"Fazer algo não é mais díficil que simplesmente COMEÇAR".
"E ficando bom em algo, quando você atinge o ponto que achava ser bom, você percebe o quanto ainda tem que melhorar."

É importante para todo artista iniciante entender que a estrada não terá fim. Que quanto mais se sobe, mais se verá que tem para subir. Mas também entender que isso é normal, e que todos os artistas passaram por isso. É um preço alto a se pagar, mas todos que chegaram a algum lugar o pagaram e não tem ninguém melhor que Iain McCaig para dizê-lo.

Eles entram então em uma discussão sobre a geração da internet e o acesso a conteúdos e artistas diversos. Bobby então pergunta os pontos positivos e negativos disso. Iain então exalta o quanto a internet está criando uma geração de artistas fantásticos que com 20 e poucos anos tem qualidade de trabalho de pessoas de 40 anos das gerações anteriores.

Com relação aos pontos negativos, Iain cita que o problema com o digital é que por você poder mudar infinitamente o que faz, você não aprende a se comprometer com o que faz. Muitas vezes se faz algo pelo mero ato de fazer e ficar bonito. Não se pensa mais profundamente em o que se está fazendo e por que se está fazendo.

"Você deve lembrar que fazer algo parecer belo não é o mesmo que fazer algo belo"

Ele então opina que storytelling, a arte de contar histórias, não é mais ensinada como antigamente. Que este importante quesito tem se tornado secundário, argumento que ele ilustra com os grandes blockbusters do cinema, onde a história é o coadjuvante e a experiência é que é o importante, como uma atração de parque temático. E ele acha que este é um dos problemas desta geração.

"Os jovens agora já têm uma bela voz, agora eles precisam de músicas para cantar. Então aprender a escrever estas músicas é o próximo passo"

Outro ponto que me interessou bastante é o que Iain McCaig fala sobre seu curso de graduação. Ele fez Design Gráfico, pois era onde teria o maior contato com a ilustração. Mas em suas palavras:

"Nos anos 70, as escolas de arte eram mais focadas no que você sente do que como você faz"

Ele complementa dizendo que durante o curso não aprendeu a desenhar propriamente dito e que fazia exercícios de tipografia e como deixar quatro retângulos pretos mais agressivos.

Este ponto é interessante e estou desenvolvendo um post inteiro sobre isso, pois é o momento que vive a graduação em artes no Brasil, mas que eu acredito que tenha muitos elementos que podem ser aproveitados. 

Ele diz que aprendeu realmente a desenhar desenhando desde pequeno e através de algumas matérias do primeiro ano da faculdade (fundamentos) ele conseguiu praticar, com sessões de modelo vivo e outros exercícios. Algo que realmente ele só foi aprender depois de formado foi a pintar.

Eles desenvolvem outros pontos da carreira de Iain e pessoas que ele encontrou pelo caminhos e projetos que trabalhou. Iain então desenvolve sobre seu processo criativo, com alguns dos melhores quotes do vídeo:

"É isto que me move, a vida!"
"Se você quer ser um grande artista, tenha uma ótima vida (...) tenha experiências ricas para poder desenhá-las."
"Nunca se acostume com as coisas, sempre reavalie!"
"No momento que você coloca história nas coisas, elas ganham vida!"

Eles terminam a conversa explicando como será o curso do Iain na Schoolism, que tentará basicamente atacar os pontos discutidos na entrevista, histórias, aplicação de fundamentos técnicos e criação. Ele irá documentar todo o processo de criação de uma releitura visual do livro Frankenstein. Será fantástico de assistir!

Este post foi muito interessante de escrever, pude mergulhar nos assuntos discutidos e questionar meu entendimento sobre os mesmos, mas abri vários tópicos que podemos discutir pelos comentários ou em outras publicações! Mandem suas opiniões. Estou pensando em um formato que possamos gravar discussões sobre estes tópicos, mas ainda não tenho certeza. Se alguém tiver sugestões, seria bem interessante ouví-las.

O último ponto que gostaria de tocar é agradecer pelo crescimento que o blog tem tido. São somente 10 dias no ar e são 500 likes na página do facebook e mais de 3000 page views. Estou realmente muito feliz e motivado para continuar! Muito obrigado!

Quem gostou deste post, por favor, compartilhe. Infelizmente a página do facebook só atinge uma pequena porcentagem dos membros (em torno de 10%) então estes compartilhamentos são importantes para que todos saibam de novas publicações e também para o crescimento do projeto! A newsletter também já está funcionando, quem quiser se cadastrar receberá e-mails sempre que houverem publicações novas.

Leia mais sobre Iain McCaig:

Muito obrigado novamente por acompanhar!

Dê tempo ao esforço

Recentemente me deparei novamente com este vídeo, de um trecho de uma entrevista com o produtor de rádio e TV americano Ira Glass, e achei que seria uma ótima forma de continuar as conversas por aqui. Ele está muito em linha com o que discuti no post inaugural e no do ICONIC sobre não estarmos sozinhos em nossas incertezas. È impressionante o quão bom é o conteúdo e resolvi traduzir o que ele fala para que mais pessoas tivessem acesso.

Vou deixar que assistam e/ou leiam a tradução que fiz dele:

Tradução feita por mim (não liguem eventuais erros na mesma, tanto de tradução quanto português):

"Ninguém conta para os iniciantes, e eu realmente gostaria que alguém tivesse me contado, que todos nós que fazemos trabalhos criativos o fazemos porque temos bom gosto. Mas existe um tipo de gap, uma lacuna, que faz com que nos primeiros anos que você está produzindo, os resultados não sejam bons, OK? Não são tão bons. Estão tentando ser bons, tem ambição de ser bons, mas ainda não estão bons. Mas seu gosto, aquilo que te trouxe para este jogo, seu gosto ainda é matador, bom o suficiente para que você saiba dizer que o que está fazendo é um pouco desapontador, entende o que quero dizer?
Muitas pessoas nunca passam desta fase. Muitos nesse ponto, desistem. E o que quero dizer para você do fundo do meu coração é que a maioria das pessoas que conheço que fazem trabalhos criativos interessantes passaram por uma fase de ANOS em que tinham um gosto muito bom e diziam que o que estavam fazendo não era tão bom quanto eles gostariam que fosse. Eles sabiam que estava abaixo do que esperavam, não tinha aquela coisa especial que gostariam que tivesse.
E o que quero dizer para você é que todos passam por isso. E para que você supere esta situação, se está passando por ela nesse momento, ou se está acabando de sair desta fase, você tem que saber que é totalmente normal e a coisa mais importante possível de se fazer é produzir MUITO, gerar um enorme volume de trabalho. Coloque-se um prazo para que toda semana, ou todo mês. você sabe que vai terminar uma história. Porque é só realmente fazendo uma grande quantidade de trabalho que você irá reduzir este gap, está lacuna. E o trabalho que você está fazendo será tão bom quanto suas ambições.
No meu caso, levei mais tempo para entender isso do que qualquer pessoa que eu já conheci. Leva tempo, vai te tomar um bom tempo, e é normal que leve tempo. E você terá que LUTAR por isso, ok?"

Deu para perceber como este vídeo é para todos os artistas em todos os níveis de sua jornada (mesmo não sendo escritores como o autor do texto original)? Acho que sempre estaremos um passo atrás do nosso gosto, mas vamos cada vez mais nos aproximando do fechamento deste "gap", ou lacuna, que ele cita. Isso também porque ao subirmos nos degraus dessa escada do desenvolvimento começamos a ver cada vez mais longe, nossos gostos e questionamentos também vão evoluindo. Sempre haverão os grandes mestres, como Sorolla da imagem do topo do post, para elevarem nossos gostos.

Meu mestre de desenho, Maurício Takiguthi, enfatiza muito em suas aulas a busca pela felicidade no processo, um ensinamento muito difundido pelo zen budismo, mas para este assunto serão necessárias outras postagens. Vou falar um pouco também no futuro sobre minha experiência no atelier do Maurício, importante para quem almeja estudar com esse mestre em seu ateliê em São Paulo.

Espero introduzir ou refrescar este conceito na cabeça dos artistas, estudantes e profissionais, que estão sofrendo com suas frustrações. Eu me senti muito bem em assistir novamente. E você? O que achou? Comenta aqui embaixo ou no facebook e vamos discutir um pouco sobre o assunto!

Muito obrigado por ter lido este post :) isso faz toda a diferença para a continuidade do projeto!